IGREJA COM VISÃO MISSIONÁRIA I
Pr. Carlos Magno V. da Silva
15/04/18
Texto: At 13.1-4
INTRODUÇÃO
Louvamos ao Senhor por esta Igreja que Deus fundou nesta comunidade para glorificar o seu Nome, pregar o Evangelho e edificar os convertidos pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo.
Nosso tema é Igreja com visão missionária, tomando-se como base a narrativa de Atos 13. 1-4.
Esta narrativa apresenta uma nova visão missionária na história da igreja primitiva. Até o momento a obra missionária vinha sendo feita por força das perseguições. A Igreja de Jerusalém caíra no mesmo erro do judaísmo do Velho Testamento aos tempos de Jesus: O povo de Israel recebeu a incumbência de ser luz para as nações, mas manteve a luz para si mesmo. Irmãos da igreja de Jerusalém só saíram para evangelizar por causa das perseguições. Viviam confortáveis nas "quatro paredes" da liderança dos apóstolos.
A igreja de Antioquia da Síria assume a liderança de evangelizar o mundo. Como diz Champlin (p.256), a igreja se transforma "no novo centro do cristianismo primitivo". Este capítulo marca um antes e um depois na história missionária da igreja primitiva, e "descreve o primeiro ato planejado de 'missão estrangeira' levado a efeito por representantes de uma igreja específica, e não por indivíduos isolados, e iniciado por uma decisão deliberada da igreja, inspirada pelo Espírito, mais do que casualmente como resultado da perseguição" (MARSHALL, 1980, p. 204). Esta nova visão aproxima-se do conceito moderno de missões estrangeiras.
Destacamos nesta noite apenas três importantes lições sobre como se tornar uma igreja de visão missionária como a igreja de Antioquia:
1ª - UMA IGREJA DEMOCRÁTICA E ACOLHEDORA - V. 1
A igreja de Antioquia fora fundada por crentes cíprios, cirinenses e outros irmãos que haviam sido dispersos por causa da perseguição. "E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor" (At 11.21). A igreja de Jerusalém envia então Barnabé, um "homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé" (At 11.24) para cuidar da igreja nascente. Barnabé por sua vez vai à cidade de Tarso, na Cilícia, em busca de Saulo para ajudá-lo na liderança desse trabalho. Passam um ano pastoreando a igreja e evangelizando a cidade. É justamente nessa cidade que os crentes vão ser chamados pela primeira vez de cristãos (At 11.26).
A igreja de Antioquia era uma igreja democrática e acolhedora. Barclay (1955, p.90) reconhece que "esta lista de profetas simboliza o chamado universal do evangelho". A igreja de Antioquia era aberta às pessoas. Os cinco líderes mencionados representam a diversidade étnica e cultural da cidade. Barnabé, citado em primeiro lugar, é de Chipre; Simeão era africano, uma vez que seu apelido Níger significa "de compleição escura" (alguns sugerem que esse Simeão foi o mesmo homem que carregara a cruz de Cristo (Lc 23.26); Lúcio era de cirene, ou seja, do Norte da África; Manaém era oriundo da corte romana, pois era irmão de leite de Herodes Antipas, o rei que mandou matar João Batista; e Saulo, o último da lista, era judeu, nascido em Tarso da Cilícia (LOPES, 2012).
Uma igreja de visão missionária não pode ser exclusivista, não pode escolher a quem quer evangelizar. A missão da igreja, segundo At 1.8 é: "O evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo" (LOPES, 2012, p.38-39).
2ª - UMA IGREJA QUE PREGA E ENSINA A PALAVRA DE DEUS - V. 1
A igreja de Antioquia era uma igreja que possuía profetas e doutores. Homens fiéis que pregavam e ensinavam as Escrituras. A lista de Lucas dá a entender que os dois primeiros eram profetas, e os demais eram doutores. William Barclay (1955, p.90) explica que: "Esta passagem nos fala de profetas e mestres. Tinham funções diferentes. Os profetas não pertenciam a nenhuma igreja determinada. Eram pregadores errantes que davam toda sua vida para escutar a palavra de Deus e transmiti-la a seus irmãos na fé. Os professores pertenciam às igrejas locais e sua funções eram as de instruir àqueles que aceitavam a fé cristã".
Uma igreja fiel aos ensinos de Cristo há de ser uma agência missionária e evangelizadora. Alcançar todas as pessoas, todos os povos, é a missão da Igreja dada por Cristo: Mt 28.19-20; Mc 16.15-16; Jo 4.34-35 (obra urgente); "Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1 Co 9.16).
Não podemos ter um aviamento bíblico e verdadeiro se a igreja não for fiel às Escrituras. Muitas igrejas não estão crescendo, estão engordando.
O avivamento que ocorreu na Argentina foi regado a muita oração. Em todos os encontros, a oração era o foco. Dos jovens aos adultos, havia um clamor pelo crescimento da igreja. As igrejas evangélicas eram todas pequenas. Conversões aconteciam com raridade. E começaram a clamar! Fabrício Carneiro (2012) escreveu sobre esse movimento na Argentina, afirmando que o avivamento começou em 1967, em Buenos Aires; Albert Darling, filho argentino de um cristão irlandês, começou uma reunião de oração toda segunda-feira em sua casa com um grupo de uns vinte irmãos.
À medida que se reuniam para orar por um avivamento nas igrejas da Argentina, o grupo de oração cresceu de tal forma que logo se tornou impossível continuar reunindo-se naquela casa. Alugaram um salão que também ficou pequeno e o mesmo aconteceu com um grande templo colocado à disposição deles, obrigando-os a mudar o grupo de oração para um teatro com capacidade para 1.500 pessoas. Como resultado deste mover, cerca de uns dez pastores, participantes regulares das reuniões, começaram a encontrar-se todo sábado para desenvolver um relacionamento mais íntimo. Com o tempo este número chegaria a cerca de 25 líderes, destacando-se: Orville Swindoll, missionário americano; Keith Bentson, missionário americano; Ivan Baker, argentino de descendência inglesa; Jorge Himitian, armênio nascido em Haifa, Palestina, cuja família se radicou na Argentina quando ele era um garoto de 7 anos; e Juan Carlos Ortiz, pastor argentino das Assembleias de Deus (CARNEIRO, 2012).
Foi um avivamento de caráter pentecostal. A igreja cresceu rapidamente. Chegou a 12% da população, ou seja, cerca de 50 mil evangélicos. A religião oficial é o Catolicismo Romano. O movimento acabou sendo fraturado com o tempo. Um dos líderes do movimento adulterou. Os demais colegas votaram pela permanência desse líder no movimento. O grupo se dividiu. Lição que aprendemos: não queremos uma igreja que cresça ferindo princípios bíblicos! Nenhum movimento se sustentará por longo tempo se não se alicerçar nas Escrituras. Is 8.20: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles!"
Precisamos de pastores e mestres em nossas igrejas hoje, para que nossas igrejas sejam bem doutrinadas, sejam forte na doutrina e na evangelização (Ef 4.11-15).
3ª - UMA IGREJA DE ORAÇÃO E SENSIBILIDADE ESPIRITUAL - V. 2-3.
O projeto de missões na verdade começa com o próprio Deus. É Deus quem move a igreja a fazer missões. Missões é a "obra de Deus" (AT 14.26). O ministério de propagação do Evangelho é chamado aí pelo Espírito Santo, no cap. 13.2, "a obra". A igreja estava "servindo ao Senhor", uma expressão que é sinônima de adoração. Uma igreja que cultua e ora ao Senhor, que é sensível ao Espírito, será usada por Deus para fazer a sua obra. O Espírito chama os que devem trabalhar. O pr. Henandes Dias Lopes (2012, p. 255) afirma: "O Espírito Santo não age à parte da igreja, mas em sintonia com ela". Observe o que diz o verso 4: "E assim estes, enviados pelo Espírito Santo...".
Igreja que perdeu a vitalidade da oração não faz mais missões, não evangeliza, não tem poder espiritual para fazer a obra de Deus. Vive sedentária e só engordando. Observem quantos irmãos vêm para os cultos de oração. Percebam se oram por conversões. Se oram pelos missionários. Se há campanhas missionárias. Quantos missionários são ajudados pela Igreja.
O Pr. Smith (1996, p.92) afirma: "A igreja que não evangeliza em breve deixará de ser evangélica". Brandt (2006, p.32) também destaca que "a missão é parte integrante irrenunciável da identidade cristã". A vitalidade da igreja depende de seu envolvimento com a missio Dei. Brandt (2006, p.35) conclui: "Uma religião morta pára de missionar".
A Igreja que evangeliza cumpre a missão de Jesus. Toma dos pagãos um povo para o seu nome, como relatou Pedro no Concílio de Jerusalém, em At 15.14 ("Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome"). A Igreja que evangeliza concretiza a palavra de Jesus, no sentido de "agregar novas ovelhas ao aprisco do Senhor" (Jo 10.16), e alcançar aqueles que hão de crer nele, como Jesus mesmo afirmou: "E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim" (Jo 17.20).
A Igreja que evangeliza glorifica ao Senhor, como o próprio Jesus disse: "Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer" (Jo 17.4). O Pr. J. I. Parker (2011, grifo do autor) também afirma:
"Glorificamos a Deus pela evangelização não somente porque a evangelização é um ato de obediência, mas também porque na evangelização contamos a todo o mundo quão grandes coisas Deus fez para a salvação dos pecadores. Sempre que as suas obras poderosas da graça se tornam conhecidas, Deus é glorificado. O salmista nos exorta: "proclamai a sua salvação, dia após dia. Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas". Para um cristão, falar aos incrédulos sobre o Senhor Jesus Cristo e do seu poder salvador significa por si só, honrar e glorificar a Deus".
CONCLUSÃO
Um professor de Escola Dominical do século passado conduziu um vendedor de calçados a Cristo. O nome do professor você nunca ouviu: Kimball. O nome do vendedor de calçados que ele converteu você conhece: Dwight Moody.
Moody tornou-se evangelista e exerceu grande influência na vida de um jovem pregador chamado Frederick B. Meyer. Meyer começou a pregar nas faculdades e, durante suas pregações, converteu J. Wilbur Chapman. Chapman passou a trabalhar com a Associação Cristã de Moços e organizou a ida de um ex-jogador de beisebol chamado Billy Sunday a Charlotte, Carolina do Norte, para realizar um reavivamento espiritual. Um grupo de líderes comunitários de Charlotte entusiasmou-se de tal maneira com o reavivamento que planejou outra campanha evangelística, convidando Mordecai Hamm para pregar na cidade. Durante essa campanha um jovem chamado Billy Graham entregou sua vida a Cristo. Billy Graham é considerado o "evangelista do século", tendo levado centenas de milhares de pessoas a Jesus em todo o mundo.
Será que o professor de Escola Dominical de Boston imaginava qual seria o resultado de sua conversa com o vendedor de calçados? (AUTOR DESCONHECIDO)
Cada vez que você fala do amor de Jesus para alguém pode estar iniciando um processo maravilhoso que alcançará milhares de pessoas com o passar do tempo.
Com a morte de Billy Graham, fomos despertados pelas grandes campanhas evangelísticas desenvolvidas pelo grupo dele. Trazemos à lembrança a Cruzada evangelística realizada na Inglaterra em 1954. Houve uma forte oposição tanto de políticos como da mídia. Mas nada impediu a ação de Deus sobre os ingleses. Mais de 2 milhões de pessoas assistiram à Cruzada. Mais de 40 mil se converteram. A imprensa ridicularizou e menosprezou essas conversões. Diziam que as pessoas foram influenciadas pelo apelo emocional da música "TAL QUAL ESTOU". Billy tomou a decisão de fazer o apelo sem música. Ele ficava em silêncio. Só se ouviam as pisadas das pessoas indo para a frente do púlpito. Ao final, vários jornalistas pediram que cantassem novamente Tal Qual, pois o silêncio era muito constrangedor!
Muitos daqueles jovens se converteram foram para o seminário, provocando um grande avivamento espiritual entre os ingleses. Encheram os seminários. A obra missionária mundial recebeu grande impulso. Queremos hoje um avivamento evangelístico e missionário em nosso país. Mt 9.38: "Rogai ao Senhor da seara que mande obreiros para a sua seara!"
Vamos nossos corações com o desejo sincero de avivamento em nossas igrejas! Que haja crescimento saudável, amadurecimento, consagração de vidas para o Senhor (Rm 12.1-2), menos mundanismo em nossa juventude, mais fidelidade dos crentes na obediência à Palavra de Deus, mais compromisso dos crentes com a sua igreja. Amém!
REFERÊNCIAS
BARCLAY, William. Atos. 1955.
BRANDT, Hermann. O encanto da missão: ensaios de missiologia contemporânea. Trad. Walter O. Schlupp e Luís Marcos Sander; São Leopoldo: Sinodal, 2006.
LOPES, Hernandes D. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos. 2012.
MARSHALL, I. Howard. Atos dos apóstolos. São Paulo: Vida Nova, 1980.
PARKER, J. I. Qual o motivo para evangelização? Disponível em?<https:// www.monergismo.com /textos/evangelismo/packer_evangelismo_motivo.htm>. Acesso em: 01 nov. 2011.
SMITH, Oswald. Paixão pelas almas. São Paulo: Vida, 1996.
