SERMÕES E ESTUDOS BÍBLICOS

Naquela noite triste e angustiante para Jesus, o cálice estava presente na mente de Jesus. Ele tinha acabado de celebrar a Páscoa, em que dissera que o cálice era a nova aliança em seu sangue, fazendo menção do sacrifício na Cruz.

Pr. Carlos Magno V. da Silva
15/04/18Texto: At 13.1-4INTRODUÇÃOLouvamos ao Senhor por esta Igreja que Deus fundou nesta comunidade para glorificar o seu Nome, pregar o Evangelho e edificar os convertidos pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo.Nosso tema é Igreja com visão missionária, tomando-se como base a narrativa de Atos 13. 1-4.Esta narrativa...

IGREJA COM VISÃO MISSIONÁRIA II: 

A responsabilidade da igreja com a obra missionária

Pr. Carlos Magno V. da Silva

15/04/18

Texto: At 13.1-4; 14.26-28

INTRODUÇÃO

Apresentamos ontem pelo menos três motivos por que a igreja de Antioquia fez a diferença no quadro histórico do I século, usada por Deus para fazer a sua obra. Destacamos que ela era uma igreja democrática e acolhedora, pregava e ensinava a palavra de Deus e era uma igreja de oração e sensibilidade espiritual.

Hoje continuamos a análise da atuação dessa igreja principalmente em sua relação com seus missionários e como devemos também fazer com aqueles que enviamos para realizar a obra de Deus.

É possível perceber pelo menos mais três fatores essenciais para uma igreja envolver-se na obra do coração de Deus, que é missões:

1º - A IGREJA TEM UMA RESPONSABILIDADE DIRETA POR SEPARAR E CONSAGRAR MISSIONÁRIO PARA O CAMPO - V. 3

O verso 3 deixa muito bem claro que o Espírito Santo e a igreja são responsáveis por selecionar, consagrar e enviar seus obreiros. A versão Fiel Trinitariana traduz assim: "Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram". A NVI por sua vez traduz: "Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhe as mãos e os enviaram".

Diz o pr. Mario Neves (1957, p. 181, grifos do autor): "Nas palavras: 'separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado', vemos o admirável consórcio da força divina com a humana. Deus opera por intermédio do homem. Sempre foi assim: Deus inspirou, e os homens falaram e escreveram: Deus escolheu, e os homens separaram; Deus envia, e os homens pregam; o homem evangeliza, e Deus prepara o coração para a mensagem"

Após separar Barnabé, Saulo e João Marcos para a obra, "impuseram-lhe as mãos", consagrando-os oficialmente para a obra do Senhor.

Como reconhecer e selecionar candidatos para a obra missionária? Não é uma tarefa fácil. Adam Clark (apud Champlin, 1995, p.259) chega a dizer o seguinte: "Ó, vós, líderes da igreja! Cuidado, pois de outro modo tereis de responder a Deus, para jamais impordes as mãos sobre a cabeça de um homem, acerca de quem não tendes justa razão por acreditar que Deus o chamou para a obra; seus olhos devem ser singelos e seu coração deve ser puro. Que ninguém seja enviado a ensinar o cristianismo se não houver ainda experimentado o poder de Deus, na salvação de sua própria alma. Pois se o fizerdes, embora ele leve a vossa autoridade, jamais poderá contar com a bênção e a aprovação de Deus. '...pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o Senhor' (Jer. 23:32)".

Observamos que não foram Paulo e Barnabé que se autonomearam missionários. Naturalmente que eles já "serviam" na igreja, assumindo algum ministério. O candidato ao ministério dar-se-á a conhecer em seu envolvimento na obra do Senhor. Deus chama, a igreja separa.

Em nosso livreto, intitulado O jovem e a vocação religiosa, analisamos várias questões sobre o chamado cristão. "Quando alguém diz que é vocacionado, ele, portanto, deve estar falando de uma dessas situações: "O indivíduo vocacionado é aquele que foi chamado, ou que se sente apto para a realização de alguma missão especial" (SILVA, 2018, p.4).

Isso envolve pelo menos três fatores:

  • Ter consciência de que se é, ou se foi, chamado para servir ao Senhor;
  • Aceitar o chamado - no passado alguns até tentaram fugir do chamado divino, como Moisés, Jonas, ou aquele servo que da parábola dos talentos: "Ele, porém, disse: Ah, meu Senhor! Envia pela mão daquele a quem tu hás de enviar" - Êx 4:13; "E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis... - Jn 1.1-3; "Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim" - Is 6.7-8; Mt 21.28-31; 25.14-30;
  • Finalmente, aceitando a chamada divina, o indivíduo deverá preparar-se adequadamente para bem realizar a sua missão (SILVA, 2018).

Paulo foi chamado por Deus. Desde a sua conversão ele foi orientado que seria o apóstolo dos gentios (At 26:16-18; 9:15; Gl 2:7,8). Champlin (1995, p. 258) conclui assim: "Pode-se notar como os instrumentos especiais de Deus são escolhidos e orientados". Os que são chamados não deixam de ser orientados, corrigidos, lapidados e protegidos por Deus.

Precisamos orar pelos jovens de nossa geração. Temos que levantar um clamor aos Céus para Deus mandar obreiros para sua seara. Analisando o chamado de Paulo, Champlin (1995, p.258) reconhece que "cada indivíduo tem a sua própria missão, sendo responsável, diante de Deus, pela devida realização de sua respectiva missão. Outrossim, cada indivíduo tem um destino especial, bem como uma eternidade especial e sempre será um indivíduo sem-par, de alguma forma, como instrumento para a glória de Deus". Você já descobriu qual é o seu chamado?

Champlin (1995, p.256) destaca que: "Uma missão precisa do homem certo, se o plano tiver de realizar-se apropriadamente. As correntes históricas não seriam suficientes para impulsionar o movimento cristão. Para isso foi preciso um Pedro, um Paulo e outros da mesma estirpe. 'Não admira que a bacia do Mediterrâneo tenha começado a estremecer! Paulo liderava a missão aos gentios! O homem certo no lugar certo. Alguém já disse que o maior milagre do N.T. é o fato de que ao tempo em que a igreja cristã precisava de um homem como Paulo, Paulo se fez presente para satisfazer a essa necessidade. Tinha ele tanto o passado formativo judaico como a experiência cristã. Ele tinha o privilégio da cultura, da educação e da cidadania romanas. Possuía a mente de um filósofo e o coração e o espírito de um místico. Tinha a coragem de um cruzado e a humildade de um santo. Aceito o fato de que os acontecimentos de tal modo cooperavam para que todas as coisas estivessem preparadas para o lançamento do movimento cristão nos mares encapelados do mundo, se Paulo não estivesse presente para realizá-lo, o movimento teria sido sepultado [...]. Todo movimento requer e reclama pelo homem certo'".

Meus irmãos e irmãs, a seara ainda é vasta e requer novos obreiros: "Então, falou aos seus discípulos: De fato a colheita é abundante, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, orai ao Senhor da seara e pedi que Ele mande mais trabalhadores para a sua colheita" (Mt 9.37-38, KJV atualizada).

2º - A IGREJA TAMBÉM É A RESPONSÁVEL POR ENVIAR MISSIONÁRIOS PARA O CAMPO - V. 3

Vemos a proliferação de igrejas e denominações nos arraiais evangélicos. Um membro ou um líder deixa sua igreja, e abre outra sem vínculo com nenhuma igreja ou denominação. Isso tem sido muito comum em nossos dias. E assim igrejas abrem e fecham, nas pontas das esquinas, com a maior facilidade.

A Igreja de Antioquia é a primeira a fazer missões no sentido em que entendemos e implementamos hoje. Um dos motivos do surgimento das denominações fundamentalistas tem a ver com essa questão missionária. Os grupos Batistas Bíblicos, Batistas Independentes de Ribeiro Preto e os Batistas Regulares têm a mesma posição quanto à situação dos missionários. Estes não são sustentados por uma junta ou uma agência de missões, mas pelas igrejas.

Não que sejamos contra as agências missionárias. Elas são muito importantes como organizações de apoio missionário. Para entrar em alguns países, as agências dão respaldo legal, econômico e jurídico aos missionários. Observamos que Paulo e Barnabé não estavam sozinhos nessa grande empreitada: "E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador (auxiliar). A obra missionária sempre necessitará de auxiliadores. Costumamos dizer: "Alguém tem que segurar a corda". Esta frase vem de uma história missionária que diz o seguinte:

"Uma certa vez, em uma aldeia, havia um rio que ninguém ousava tomar banho nele, pois era muito fundo e a correnteza era forte. Um certo dia um garoto aproximou-se do rio e resolveu entrar. Em poucos instantes o garoto estava gritando por socorro, pois começou a afogar-se. Toda a aldeia veio para ver o que estava acontecendo, mas ninguém ousou entrar. De repente veio uma mulher gritando e chorando pois era o seu filho que estava na água... Um homem vendo o desespero daquela mãe, resolveu entrar para resgatar o garoto, mas impôs uma condição, ele amarraria uma corda em sua cintura e as pessoas que estavam às margens teriam que segurar a outra ponta e puxarem-na assim que ele alcançasse o garoto. E, eles aceitaram a proposta.

Chegando no meio do rio o homem conseguiu agarrar o garoto e gritou para que as pessoas os resgatassem puxando a corda, mas a multidão que estava à margem discutia de quem era a obrigação de segurar a corda. Outros discutiam sobre quem pagaria a corda caso ela fosse arrastada junto com aquele homem. Com isso esqueceram-se de segurar a corda, e os dois foram vencidos pela correnteza... e afogaram-se. Quando deram fé, era tarde demais.

Este rio representa o mundo, o garoto, as pessoas perdidas sem Jesus, o homem que foi resgatar representa o missionário, e as pessoas que estavam à margem do rio a igreja. Eu não sei onde você se encaixa nesta história, mas reflita nela, pense sobre o que você tem feito por quem está lá, na outra ponta da corda!

"Missões se faz com os pés dos que vão, com os joelhos dos que oram e com as mãos dos que contribuem. Não com a filosofia dos que discutem". (Autor desconhecido)

Em nossa Congregação, nossos missionários fazem parte de nosso Whats app. Comunicamo-nos todos os dias e acompanhamos sua situação e necessidades. O certo é que precisamos fazer sempre alguma coisa pela obra missionária e por nossos missionários.

3º - A IGREJA DEVE ACOMPANHAR O DESENVOLVIMENTO E OS RESULTADOS DO TRABALHO MISSIONÁRIO - 14. 26-28

Os americanos vêm para o Brasil. Passam quatro anos aqui, mas depois são obrigados a voltar aos EUA, visitar todas as igrejas que os sustentam para apresentar-lhes relatórios de suas atividades missionárias. Anualmente nossos missionários brasileiros fazem o mesmo. Sempre que possível, eles têm que visitar todas as igrejas que os mantêm para relatar seu trabalho no campo missionário.

Nossas igrejas devem exigir isso deles. Devem agendar com eles uma temporada na igreja para, além de apresentar relatórios, estreitar com eles a comunhão.

Observem que Paulo e Barnabé fizeram justamente isso: "E dali navegaram para Antioquia, de onde tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido. E, quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles, e como abrira aos gentios a porta da fé. E ficaram ali não pouco tempo com os discípulos" (At 14:26-28).

Pr. Hernandes Lopes (2012) destaca três importantes coisas que os bravos missionários fizeram:

1ª - Relataram as intervenções extraordinárias de Deus na vida deles. Não buscaram exaltar a si mesmos, mas a glorificar a Deus. Cerca de 10 anos de labor missionário, agora voltam felizes por terem fundado igrejas em quatro províncias do Império Romano: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor.

2ª - Relataram como Deus abriu aos gentios a porta da fé. "O sucesso da obra missionária não foi devido ao poder inerente dos missionários nem a seus métodos. Foi Deus quem abriu aos gentios da porta do evangelho. Foi Deus quem abriu o coração dos pagãos para a verdade. Foi Deus quem invadiu as trevas do paganismo com a luz da verdade. A obra de Deus é feita por Deus por intermédio de instrumentos humanos. É Deus quem opera nos evangelistas e também naqueles que recebem o evangelho" (LOPES, 2012, p.271).

3ª - Eles permaneceram muito tempo com a igreja. "Paulo e Barnabé precisam da igreja e a igreja precisa dos missionários. Eles se abastecem na comunhão da igreja e também encorajam a igreja a estar ainda mais comprometida com a obra missionária" (LOPES, 2012, p. 272).

Há uma grande necessidade de um modelo de gestão de implantação de igrejas. Cremos que ainda não temos isso, um projeto de implantação de igrejas. Algumas seitas até possuem, e constroem igrejas sempre com o mesmo design e suas respectivas funcionalidades.

Isso quer dizer que nossos Departamentos de Missões devem ser mais atuantes, desenvolver projetos e campanhas periódicas de missões, promover grandes campanhas publicitárias sobre essas ações, engajar-se com mais veemência no alcance do alvo financeiro de missões, etc.

Pregar sobre missões é muito mais do que um discurso bonito sobre missões: é ver como podemos ser mais afetivos na colaboração da obra do Senhor neste mundo.

REFERÊNCIAS

CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Atos e Romanos. Vol III. São Paulo: Candeia, 1995.

LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

SILVA, Carlos Magno V. da. O jovem e a vocação religiosa. Feira de Santana Ventt Edições, 2018.

IGREJA COM VISÃO MISSIONÁRIA III: Fazendo missões hoje


Pr. Carlos Magno V. da Silva

15/04/18

Texto: At 13.5-52

INTRODUÇÃO

Apresentamos no sábado pelo menos três motivos por que a igreja de Antioquia fez a diferença no quadro histórico do I século, usada por Deus para fazer a sua obra. Destacamos que ela era uma igreja democrática e acolhedora, pregava e ensinava a palavra de Deus e era uma igreja de oração e sensibilidade espiritual. Hoje pela manhã abordamos a atuação dessa igreja principalmente em sua relação com seus missionários e como devemos também fazer com aqueles que enviamos para realizar a obra de Deus.

A questão a que nos propomos nesta noite é: como fazer missões hoje? Como a igreja pode tornar-se relevante para atender as necessidades e anseios de nossa geração? Como comunicar o evangelho no mundo de hoje? Que filosofia de missões Paulo e Barnabé concebiam em sua prática missionária?

É possível destacar pelo menos três importantes fatores na prática de evangelismo e missões, tomando-se como base a experiência de Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária.

1º - USANDO ESTRATÉGIAS ADEQUADAS PARA A EVANGELIZAÇÃO - V. 4

Não basta apenas alguém abrir a Bíblia e começar a falar. O fenômeno religioso hoje é bastante complexo. Há muitas religiões e milhares de denominações cristãs, muitas delas divergentes ou conflitantes. É preciso ter um ponto de partida com base em um ponto em comum. Ou melhor, é preciso ter alguma estratégia para comunicação eficaz da Palavra de Deus.

Antes de tudo, é necessário compreender o que significa "estratégia". Aurélio, em seu Novo Dicionário da Língua Portuguesa, apresenta quatro conceitos de "estratégia" (do gr. strategia):

1. Arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas, navios e/ou aviões, visando a alcançar ou manter posições relativas e potenciais bélicos favoráveis a futuras ações táticas sobre determinados objetivos. 2. Arte militar de escolher onde, quando e com que travar um combate ou uma batalha. 3. Arte de aplicar os meios disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos. 4. Arte de explorar condições favoráveis com o fim de alcançar objetivos específicos.

Interessa-nos aqui os pontos 3 e 4 nesse conceito de estratégia. Defendemos aqui o conceito de estratégia como a escolha das condições favoráveis para se alcançar os objetivos almejados.

Quando se fala em "estratégias", vem-nos à mente uma obra antiga, clássica, do V século a.C., intitulada A Arte da Guerra, do general Sun Tzu. Embora suas orientações tenham sido originalmente escritas para se ganhar uma guerra, ao longo do tempo esse manual de táticas militares tem sido aplicado em várias áreas, principalmente no campo da administração.

Sun Tzu (2007, p.24) chama a atenção para a grande necessidade de um rigoroso planejamento: "O general que vence muitas batalhas faz muitos planos em seu campo antes de cada combate. O general que perde uma batalha não faz mais que poucos planos antecipadamente. Portanto, planejar bastante leva à vitória; pouco planejamento, à derrota. Mais derrotado ainda será o que não fizer planejamento algum. Quando se está atento a esse ponto é possível prever quem está destinado a vencer ou a perder".

Calos Alberto Júlio (2005, p.18), um especialista em gestão estratégica, compreende que "estratégia é o caminho mais rápido para alcançar seus objetivos". "Estratégia envolve planejamento e execução. Vale resgatar o pensamento de Joel Baker, que no interessante filme de treinamento O enigma dos paradigmas nos dizia: 'Visão sem ação é só um sonho; ação sem visão é um passatempo; visão e ação juntas podem mudar o mundo'" (JÚLIO, 2005, p. 31).

Vemos igrejas sem nenhuma noção de planejamento estratégico. Ninguém tem noção da visão dela, de sua missão ou de seus valores. Não há organização nem planejamento de suas atividades. Tudo ocorre aleatoriamente ao sabor das urgências e emergências. Não quero aqui transformar as igrejas em empresas comerciais. Não. As igrejas são organizações religiosas, e, como tais, precisam de ser organizadas e suas ações planejadas.

A título de exemplificação, construímos a visão, missão e valores da futura Ibrene:

A Igreja Sede tem sua missão estabelecida em seu Estatuto. Em seu ART. 2º, consta:

  • Pregar e ensinar o Evangelho do Senhor Jesus Cristo como escrito nas Escrituras do Velho e Novo Testamentos;
  • Adorar e servir a Deus Pai, Filho e Espírito Santo em Espírito e Verdade;
  • Cuidar da educação cristã em geral;
  • Ajudar os necessitados e enfermos, especialmente os da sua agremiação e geralmente apoiar e ajudar tudo o que for para o bem da humanidade, segundo as posses da Igreja.

Quais as estratégias missionárias de Paulo e Barnabé? Poderíamos estender essa análise para todo o NT, a começar com o ministério de Jesus. Por que Jesus atravessou um mar encapelado só para salvar um endemoniado gadareno (Mc 5.1-20)? Por que o texto bíblico diz que ele deixou a rota normal dos judeus entre Judeia - Galileia, tendo que passar por Samaria, conforme Jo 4.4, só para salvar uma mulher samaritana? Por que Jesus não foi para a grande festa dos Tabernáculos no dia em que seus irmãos sugeriram, mas foi no dia mais propício para se expor e pregar publicamente no templo (Jo 7.14)? Naturalmente que essas escolhas não foram aleatórias. Faziam parte de seus planos, de seu propósito salvífico. Essas escolhas são o que chamamos de "estratégias".

Paulo e Barnabé, é claro, são também estrategistas. Eles partem de Antioquia em direção ao porto de Selêucia. Antioquia fica a 26 km do mar. Selêucia era a região portuária de Antioquia. Tomam uma embarcação até a ilha de Chipre e descem no atracadouro de Salamina, a 96 km de Selêucia. Chipre era uma ilha grande, com 223 km de comprimento e 96 km de largura. Era uma colônia romana, embora tenha sido colonizada pelos gregos. Chipre era famosa por suas minas de cobre e por sua indústria naval. A sede do governo ficava em Pafos, onde Paulo vai evangelizar o governador romano da ilha, chamado de procônsul Sérgio Paulo.

Há pelo menos três estratégias evangelísticas de Paulo e Barnabé nesse primeiro momento de sua jornada missionária:

1ª - Escolheram começar a missão evangelizadora na terra natal de Barnabé - na ilha de Chipre (At 4.36).

Lugar que Barnabé conhecia muito bem e provavelmente ainda tinha parentes por lá. "E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus" (v. 5). Neves (1957, p. 183) afirma que "anunciar a Palavra de Deus é, na obra de evangelização, pregar a Cristo (At 9.20; 1 Co 2.2).

2ª - Buscavam um local com um ponto em comum para anunciar a Cristo - v. 5.

Em todas as cidades, onde eles chegavam, primeiro visitavam as sinagogas. Marshall (1982) comenta que essa estratégia tanto seguia o princípio de "primeiro ao judeu", ensinado por Cristo, como também fazia sentido prático ao estabelecer um ponto de contato para o evangelho. O Pr. Mário Neves (1971, p.183, grifo do autor) também concorda que visitar primeiro as sinagogas era uma estratégia comum: "A propaganda do Evangelho é mais bem realizada quando algo houver que seja comum entre o propagandista e os ouvintes, ou quando ele pode contar com o valioso auxílio do chamado elemento de ligação, que prepare o terreno despertando simpatias, faça a apresentação, pela sua influência, predisponha os indivíduos favoravelmente. É que entre os judeus e eles havia as Escrituras que todos conheciam e criam".

3ª - Aproveitavam para evangelizar tanto grupos como pessoas individualmente - v. 7

É fácil perceber que Paulo e Barnabé davam preferência à evangelização de pequenos e grandes grupos, sem menosprezar as pessoas individualmente que se interessassem por ouvir o Evangelho. Pregam nas sinagogas, mas quando soube que o procônsul Sérgio Paulo "procura muito ouvir a palavra de Deus", Paulo imediatamente dirige-se a sua casa, em Pafos, a sede do governo romano na ilha de Chipre. O texto bíblico (v. 12) diz que Sérgio "creu, maravilhado da doutrina do Senhor". Evangelismo, missões, não é nada mais que isso, irmãos: é ensinar a doutrina do Senhor às pessoas.

Hoje temos inúmeros recursos de como podemos evangelizar o nosso povo: seja através das plataformas de mídia (rádio, televisão, internet, etc.), ou seja pelos meios tradicionais, como distribuir folhetos, pregar em público, do discipulado bíblico nos lares. Defendemos que de todos os métodos modernos, o discipulado nos lares ainda é a melhor ferramenta de evangelismo, considerando a complexidade do fenômeno urbano contemporâneo.

A ideia do discipulado bíblico tornou-se bastante divulgado no Brasil a partir do início da década de 90. Estávamos no Rio, quando veio um grupo de discipuladores dos EUA para a Primeira Igreja Batista Bíblica do Rio de Janeiro e deu um treinamento aos pastores e líderes sobre o discipulado bíblico. Fizemos parte desse grupo e fomos um dos tradutores do Manual de Discipulado Bíblico. Quando voltamos para a Bahia, escrevemos dois livretos para uso nos Núcleos de Estudos Bíblicos nos Lares: o primeiro, intitulado: Discipulado Bíblico I: O plano de Deus para a salvação do homem, em coautoria com o Pr. Evaldo Moraes e o irmão Antônio Carlos Rodrigues. E o segundo, de nossa autoria, intitulado Como se tornar um cristão, de 2004. E agora estou escrevendo outro, intitulado: "Jesus, o Filho de Deus: Estudando o Evangelho de João", que se encontra no blog de nossa congregação.

Cada igreja precisa analisar os recursos que tem e implementar as estratégias que considerem mais adequadas ao contexto social e urbano em que a igreja está inserida.

2º - ESTANDO PREPARADOS ESPIRITUALMENTE PARA ENFRENTAR AS ADVERSIDADES - V. 8

Alguns dias atrás, ao chegar à Igreja do Parque Ipê, um senhor discutia com uma irmã que, depois, ficamos sabendo ser sua mãe. Ao começar a pregar, fui interrompido por essa irmã. Ela levou esse senhor à frente e pediu-me para orar por ele. Ele estava transtornado emocionalmente, terrivelmente abalado e oprimido por Satanás, com ódio violento no coração. Ele exclamava, vociferando e espumando: "Eu vou matar!" "Quando sair daqui vou matar!"

Pregar o Evangelho não consiste simplesmente em proferir uma palestra ou construir um belo discurso. É muito mais que isso: é entrar numa batalha espiritual. É afrontar as hostes do mal. A pregação bíblica, falar de Cristo como Senhor e Salvador, abala e afeta os interesses de Satanás (v. 10). Em decorrência disso, o crente não vem ao culto como espectador, não vem assistir a um culto, ele está inserido nessa batalha espiritual, mesmo quando esteja ouvindo a Palavra de Deus.

Quando Paulo chegou a Pafos e foi evangelizar o procônsul Sérgio Paulo, seu mago Elimas se opôs veemente à pregação de Paulo. Mas Paulo com a autoridade de Cristo repreende-o e o castiga com uma cegueira temporária. Champlin (1995) destaca "como o poder do evangelho era superior à1quele da magia pagã". Neves (1971, p. 185) também acentua quanto vale uma alma aos olhos do Senhor: "Por uma alma entraram em luta as duas maiores potências espirituais. De um lado ali estava o PRÍNCIPE DAS TREVAS representado por Elimas, e de outro, ali estava o REI DA GLÓRIA, dignamente representado pelo seu Embaixador Saulo". Exatamente por esse motivo que mais tarde Paulo vai dizer: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6:12).

Curando um homem leso dos pés em Listra, a multidão acolheu Paulo e Barnabé como deuses. Foram aplaudidos e trouxeram-lhe oferendas, como touros e grinaldas, mas Paulo rejeitou rigorosamente esse culto pagão. O diabo tenta de todas as formas: pela perseguição ou pelos aplausos! Mas essa mesma multidão que o aplaudia, agora muda de atitude e "apedrejaram a Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto" (Cap. 14.19). Mas o servo do Senhor, não se deixa abater! O que Paulo faz? Todo ensanguentado, com o rosto arrebentado pelas pedradas, cheio de hematomas, "levantou-se, e entrou na cidade, e no dia seguinte saiu com Barnabé para Derbe" (14.20).

3º - PREGANDO O EVANGELHO INTEGRALMENTE - V.17-41

De igual modo, pregar a Palavra de Deus fragmentária e topicamente não satisfaz aos ouvintes. É disso de que estamos necessitando, que a nossa geração necessita: de falar de Cristo integralmente. O tema de aniversário de nossa Congregação vai ser: Conta-me a história de Cristo (Hino 196). Quando Paulo e Barnabé chegam a Icônio, "detiveram-se, pois, muito tempo, falando ousadamente acerca do Senhor" (14.3). Era esse o conteúdo de suas pregações! Eles falavam de Jesus!

Encontramos um fragmento do sermão de Paulo pregado em Antioquia da Pisídia. Neves (1971) resume em quatro partes o sermão de Paulo:

1ª - Resumo da história de Israel, de Abraão até Davi - v. 17-24;

2ª - Apresentação de Jesus como o Messias prometido - v. 25-37;

3ª - A justificação pela fé - v. 38-39;

4ª - Uma solene advertência - v. 40-41.

A igreja bíblica deve criar uma expectativa em torno da pregação da Palavra de Deus. Os crentes devem convidar visitantes para ouvir a pregação genuína da Palavra de Deus e da salvação de Cristo. Temos visto em nosso país várias igrejas criando expectativas em torno de curas e milagres, em relacionamentos amorosos, na prosperidade material, mas essa não é a missão da igreja. Augusto Nicodemus disse certo dia o seguinte: O Evangelho oferece a salvação da alma humana através do sacrifício perfeito de Cristo; se você quer ter prosperidade material estude e trabalhe para se tornar rico.

Resumindo:

  • Devemos ser uma igreja democrática e acolhedora, que prega e ensina a palavra de Deus, sendo uma igreja de oração e sensibilidade espiritual;
  • Devemos repensar a qual a nossa filosofia de missões;
  • Usar estratégias adequadas para a evangelização;
  • Estar preparados espiritualmente para enfrentar as adversidades;
  • Pregar o evangelho integralmente.

Que Deus nos abençoe!

REFERÊNCIAS

CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo: Atos e Romanos. Vol III. São Paulo: Candeia, 1995.

FERREIRA, Aurélio. Dicionário Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

JÚLIO, Carlos Alberto. A arte da estratégia: pense grande, comece pequeno e cresça rápido. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

MARSHALL, I. H. Atos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1982.

NEVES, Mário. Atos dos apóstolos. 2. ed. São Pau

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