PÁSCOA 3: VIVO ESTÁ!
Pr. Carlos Magno V. da Silva
Texto-Central: Ap 4.1-11
INTRODUÇÃO
Estamos acostumados com imagens do Cristo humilhado e sofredor. Do Cristo que se rebaixa, se esvazia de Si mesmo com a encarnação, e se esvai em sangue, aviltado pela multidão, na cruz do Calvário.
Hoje, à semelhança dos seres celestiais, cantamos e glorificamos o Cristo exaltado; do Cristo entronizado, em todo o resplendor de sua Glória.
Em sua visão espiritual, João viu uma porta aberta no Céu. Benditos aqueles que têm olhos para ver as realidades espirituais; que, um dia, tirado o véu do rosto, puderam contemplar a glória de Cristo! Estêvão, no derradeiro momento de sua vida, na iminência de seu martírio, vê não a escuridão da maldade humana e da morte, mas a glória de Deus; é sustentado pela esperança, com a plena certeza de seu destino. Só os que creem podem ver uma porta aberta no céu (At 7.55-56).
João é convidado a entrar por essa porta. O que ele vê lá dentro? Ele poderia ter contemplado outras belezas celestiais, mas, como diz o hino cristão, "quem primeiro quero ver é Jesus". Ele vê um trono e alguém assentado nele. Ele vê o trono de Deus. Uma magnífica visão. Sua visão é centrada em Deus em comunhão com todos os seres celestiais.
No cap. 4, o termo "trono" ocorre 14 vezes e no cap. 5, mais 4, totalizando 18 vezes. Tudo gira em torno dele. Um trono é símbolo de governo e poder. Gertrud Wasserzug ([s.d.], p.18) afirma que "o trono é o centro do céu, da terra e de toda a história da Humanidade". William Hendriksen (1987, p.106, grifo do autor) acrescenta que "O trono é o próprio centro do universo, não o centro fisiográfico, mas espiritual. Aqui está o verdadeiro fundamento da astronomia. O universo da Bíblia não é geocêntrico, nem heliocêntrico, nem sagitariocêntrico, mas teocêntrico".
A lição que esta visão nos ensina é simples, como está expresso no Sl 99.1: "O Senhor reina; tremam os povos. Ele está assentado entre os querubins; comova-se a terra". Deus comanda a história, não os homens, ao contrário do que, naquela época, Domiciano, imperador romano, se declarava como deus e senhor e exigia adoração de todos os povos. Pensava ele que podia comandar os destinos das nações a ele subjugadas. Mas Deus está acima dele, como de qualquer outro governante deste mundo. Deus se manifesta com toda a sua glória. As cores e sons que João consegue perceber representam o caráter de Deus: jaspe (transparente como o cristal= santidade), sardônica (vermelho = justiça) e a esmeralda (verde = misericórdia). E o arco-íris que representa a graça de Deus, como nos dias de Noé.
Todos os seres celestiais reconhecem e exaltam "Aquele que Vive para Sempre". Diante do trono estão os 24 anciãos (que representam os salvos redimidos pelo sangue de Jesus) e os quatro seres viventes (semelhantes ao leão, ao bezerro, ao homem e à águia)[1]. O teólogo H.B. Swete (apud PFEIFFER; HARRISON, 2001, p. 421) comenta: "As quatro formas sugerem o que há de mais nobre, mais forte, mais sábio e mais rápido na natureza animada. A natureza, incluindo o homem, está representada diante do trono tomando parte no cumprimento da vontade divina e na adoração da majestade divina". As sete lâmpadas representam, em usa perfeição e plenitude, o Espírito Santo (a Triunidade está representada no Trono).
Nos caps. 4 e 5, há cinco cânticos de louvor "ao que está assentado sobre o Trono". Em todo o Apocalipse há cerca de 20 hinos. Pode-se dizer que o Apocalipse é o hinário da igreja triunfante. Os seres celestiais louvam a Deus. O primeiro cântico exalta a santidade de Deus; o segundo, Deus como Criador. A atitude deles, como a nossa, reflete o reconhecimento da grandeza de Deus. Analisemos porque Cristo recebe tanta honra e louvor por parte desses seres celestiais, e dos remidos ao longo dos séculos:
1 Ele é digno de toda a glória - v. 8-9.
"Glória", embora seja um termo de rica significação nas Escrituras, os cristãos não sabem muito bem o que quer dizer. No Gr. secular, glória (doxa) quer dizer: opinião, conjectura, reputação, louvor. Os dicionários definem como: "Honra, fama, renome, celebridade que se alcança pelas virtudes, talentos, boas ações etc.". Nas Escrituras, doxa teve uma mudança de sentido. Refere-se a "uma qualidade que pertence a Deus e é reconhecida pelo homem somente em resposta a ele" (Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, 2000, p.899).
Esse conceito específico do NT reflete o "Kabod" (1 Sm 4.21-22) do AT, significando "a manifestação luminosa da Sua pessoa, Sua gloriosa revelação de Si mesmo " (COENEN; BROWN, 2000, p.898). Nas Escrituras, doxa quer dizer: "glória", "majestade", "poder" de Deus.
Muitos de nossa geração não conseguem ver a glória de Cristo. 2 Co 4.4; Mt 13.15. Uns veem em Jesus um grande Mestre, uma grande personalidade, um grande profeta, um espírito iluminado, um avatar, um líder religioso. Percepções que não se encaixam perfeitamente no retrato de Jesus segundo o Novo Testamento.
Quando Cristo ressuscitou a Lázaro, muitos viram apenas um milagre, mas Jesus prometeu a Marta que ela veria a glória de Deus. Alguns judeus foram correndo relatar o fato aos fariseus. Eles viram apenas um fenômeno espetacular, extraordinário (Jo 11.46). A glória de Deus só é acessível pela fé. JO 5.44. Ef. 1.17-19. Paulo orou para que os crentes percebessem isso! "A glória de Cristo era um conjunto incomparavelmente extraordinário de perfeições espirituais, morais, intelectuais, verbais e práticas que se manifestavam em um tipo de ensino humilde, realizador de milagres e incontestável" (PIPER, 2006, p. 56). "Existe um ver do coração, não apenas um ver da mente. Existe um ver espiritual, e não apenas um ver físico" (PIPER, 2006).
O historiador Kenneth Scott Latourrette afirmou sobre Jesus: "À medida que se passam os séculos, estão aumentando as evidências de que, se analisado pelo seu efeito sobre a História, Jesus foi a personalidade mais influente que viveu neste planeta. E sua influência parece estar-se alargando". E Ernest Renan também disse: "Jesus foi o maior gênio da religião que já existiu. Sua beleza é intensa e seu reino nunca terminará. Sob todos os aspectos, Jesus é uma pessoa singular, e nada se lhe pode comparar. Sem Cristo, a História é incompreensível".
Não há maior desafio para a Igreja cristã atual que pregar o Cristo verdadeiro, aquele que é, que era e sempre será, Deus bendito eternamente. Rm 11.38 "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente".
2 Ele é digno de adoração - v. 10
A adoração é uma reação ativa a Deus, pela qual declaramos sua dignidade. A adoração não é passiva, mas participativa. Adorar é atribuir mérito. Ralph Martin afirma que "adorar a Deus é atribuir a ele mérito supremo, pois somente ele é digno de louvor".
A essência da adoração é a celebração a Deus. Quando O adoramos, nós o celebramos, nós o exaltamos, cantamos-lhe louvores e nos orgulhamos dele.
A adoração é arte e devoção do coração. Cristo nos ensinou que a verdadeira adoração é uma atitude íntima da alma, "em espírito e em verdade" (Jo 4.24).
A adoração ao Senhor é sempre resultado da convivência do homem com Deus. Só quando o homem se vê como ser especial dos cuidados, do amor e da misericórdia de Deus, que a adoração se manifesta. Aqueles que mantêm esse tipo de relacionamento com Deus são abençoados. A vida tem sentido. Não estão sós no mundo. "O sagrado aparece então como sua tentativa de conceber todo o universo como humanamente significativo, para nele poder se orientar e agir. Há uma realidade transcendente, uma verdade que tudo explica, um poder ao qual nada escapa" (MIRANDA, 1989, p.43).
Essa dimensão da vida, em plena comunhão com Deus, também esconjura a ameaça de uma natureza caótica e incontrolada, acalma ansiedades e frustrações próprias da condição humana, resgata a caducidade do tempo, procura entender o absurdo do sofrimento e da morte, protege do futuro desconhecido, legitima a organização social e fortalece a ética, fornece o calor da pertença a um grupo social e finalmente responde à questão fundamental sobre o sentido da vida (MIRANDA, 1989, p. 43).
Eis os motivos porque, diante de Deus, os vinte e quatro anciãos se prostram e o adoram. Isso é o que resulta de um coração grato, reconhecido, pela bondade e misericórdia daquele que Vive para Todo o Sempre.
3 Ele é digno de ser obedecido e honrado - v. 10
Os 24 anciãos depõem suas coroas de vitória ante o trono de Deus porque reconhecem plenamente que devem sua vitória ao Senhor que ocupa o trono.
Como nós, ainda hoje, reconhecemos que somos salvos não por nossos méritos, nossa justiça, nossa integridade e por mais que nos esforcemos espiritualmente, mas pela graça de Deus. A salvação é dom de Deus. Deus mesmo se responsabilizou por desenvolver um sistema perfeito para que sejamos salvos. Ele fez isso por nós, através de seu Filho Jesus Cristo, ao dar a sua vida na cruz do Calvário. Como um presente, ele nos oferece gratuitamente, respeitando nossa liberdade. Aceita quem quer!!
O capítulo 5 de Apocalipse apresenta dois motivos por que Aquele que Vivo Está merece toda honra, glória e louvor:
1º Ap 5.5 - "'Ele venceu!' Cristo venceu o pecado na cruz. O grande obstáculo tinha sido removido. O sangue tinha sido vertido. A vitória sobre o pecado, Satanás, a morte, etc., tinha sido alcançada"(HENDRIKSEN, p.112-113).
2º Ap 5.9 - Ele, com seu sangue, conquistou homens e mulheres de todos os povos da terra. Há um povo neste mundo que pertence ao nosso Senhor Jesus Cristo!
Conclusão
Vamos concluir com três citações:
- Jr 10.6-7: "Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande o teu nome em poder. Quem não te temerá a ti, ó Rei das nações? Pois isto só a ti pertence; porquanto entre todos os sábios das nações, e em todo o seu reino, ninguém há semelhante a ti".
- "A vida cristã [...] não é feliz apenas porque tem fundamentos sólidos. Ela é feliz porque tem um alvo eterno" (GRANCONATO, 2011, p.154)
- Podemos cantar, como diz o corinho PORQUE ELE VIVE:
PORQUE ELE VIVE, POSSO CRER NO AMANHÃ!
[1] Vd. as teofanias em Êx 19.9; Ez 1 e 10, Is 6.
PÁSCOA 2: A CRUZ DE CRISTO
Pr. Carlos Magno V. da Silva
Texto-central: Mt 27.32-56
1 INTRODUÇÃO
Em Jo 12.32, o Senhor Jesus afirmou: "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim". Ser levantado é uma metáfora para a sua morte. Refere-se à sua cruz. Cristo antevê seu destino. A cruz no monte Gólgota está diante de seus olhos. É ali onde a batalha dos séculos se concentra. É ali onde a dívida da humanidade teria que ser paga, quitada. É ali onde Ele conquistaria o coração dos seres humanos para sempre. De uma forma que não compreendemos, Deus estabeleceu que seria assim: Rm 3.24-26.
A cruz é o ponto de encontro entre o homem e Deus. A cruz é o centro do cristianismo. A fé cristã se explica e se justifica pela cruz. Ali está a origem de nossa redenção. Ali se compreende a nossa nova identidade, nossa posição diante de Deus e do mundo. Como diz o hino sacro, "foi ali, pela fé, que meus olhos abri".
Nesta lição aprendemos por que Jesus teve que morrer por nós. As Escrituras nos ensinam que seu sacrifício na cruz foi vicário, expiatório e ato supremo de amor e graça.
2 JESUS MORREU POR NÓS
Jesus morreu a morte que devíamos morrer. Ele morreu por nós (Rm 4.25). Esta é uma verdade clara e evidente nas Escrituras. Nos Artigos de Fé das Igrejas Batistas Regulares do Brasil, está escrito: "Sua morte na cruz do Calvário foi um completo e perfeito sacrifício vicário, propiciatório e substitutivo por causa dos nossos pecados e para salvar-nos da perdição eterna; sua morte não foi apenas a morte de um mártir, mas de uma vítima oferecida, voluntariamente por Deus Pai, em lugar do pecador, como o 'Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo'".
O termo vicário (do latim vicarius) quer dizer: que substitui outra coisa ou pessoa. É isso que Paulo diz em Rm 5.8: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores".
Embora Cristo tenha morrido por todos (1 Jo 2.2), e que seu sacrifício tenha valor infinito, somente aqueles que creem nele e o recebem, pela fé e com sincera expressão de arrependimento, como seu Senhor e Salvador, serão salvos ou beneficiados com o lavar regenerador do seu sangue vertido na cruz: basta ler Jo 1.12: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem em seu nome". Veja também: Jo 10.10-15; Rm 8.28-30; Ef 1.3-14.
3 SUA MORTE FOI EXPIATÓRIA
Por que Jesus tinha que morrer, e por que justamente ter que derramar seu sangue na cruz do Calvário? As Escrituras nos ensinam que a morte de Cristo foi expiatória, ou seja, uma forma que o próprio Deus encontrou para satisfazer a sua justiça e santidade. Expiação, segundo os dicionários, quer dizer: "Purificação de crimes ou faltas cometidas". A doutrina da expiação remete justamente à grave questão da "satisfação moral de Deus".
Como Deus poderia justificar o pecador, sem que ele se tornasse injusto ou corrupto contra si mesmo? Paulo faz a mesma pergunta, e responde brilhantemente, dizendo: "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3.23-26). Veja também: Cl 1.20; Hb 9.11-15; Mt 26.28; At 20.28; 1 Pe 1.18-19; Ap 7.14.
4 SUA MORTE FOI UM ATO SUPREMO DE AMOR E GRAÇA
A cruz de Cristo foi o ato supremo do amor de Deus. Por que Deus nos ama, ele "deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Deus enviou "o Filho do seu amor" (Cl 1.13), "aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados (Ap 1.5b).
A eficácia da cruz só pode ser entendida sob a ótica do amor de Deus. É o amor que redime, que perdoa, que acolhe, que salva e se sacrifica em prol do outro: Pv 10.12 ("o amor cobre todos os pecados"); 2 Co 5.14 ("o amor de Cristo nos constrange"); 1 Jo 4.9-10 ("Nisto se manifesta o amor de Deus....").
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A morte de Cristo é prova da fidelidade e imutabilidade de Deus. Deus cumpre suas promessas: "Mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas que o seu Cristo havia de padecer" (Atos 3:18); "Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados" (Atos 10:43).
Sua morte revoga as prescrições sacrificiais e ordenanças cerimoniais do AT - Cl 2.14.
Com sua morte, Jesus vence Satanás: Gn 3.15; Gl 4.4; 1 Jo 3.8.
Por causa da cruz de Cristo, fomos reconciliados com Deus, seremos salvos da ira e, por isso, nos alegramos e nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo! (Rm 5.10-11).
PARA REFLEXÃO E DEBATE
1 Você já recebeu a Jesus como seu Salvador e Senhor?
2 Como o Peregrino lançou seu fardo de pecados e culpas aos pés da Cruz, você também se sente liberto do pecado e do peso da culpa?
3 Você pode dizer como Paulo em Gl 6.14?
A INSTITUIÇÃO DA PÁSCOA DO SENHOR
Pr. Carlos Magno Vitor da Silva
Texto-central: Êx 12.1-28
1 INTRODUÇÃO
A Páscoa ("Pessach", em hebraico) é uma das mais antigas festividades do calendário religioso judaico. Seu sentido básico é "passagem" ou "passar por cima", como se pode ver no verso 13: "Passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade". Veja também Is 31.5. A Páscoa tipificava o sacrifício de Cristo. Deus estava preparando o seu povo, de forma pedagógica, através desse ritual sagrado, acerca da estreita relação do sacrifício animal com a expiação do pecado do povo (Hb 10.1). A doutrina da expiação começa a ser ensinada por Deus logo cedo, quando proibiu seu povo de comer a "carne com seu sangue" (Gn 9.4; Lv 17.10-11), pois, como está escrito aí, "é o sangue que fará expiação pela alma".
2 A INSTITUIÇÃO DA PÁSCOA
A Páscoa foi instituída por Deus (no verso 11, se diz: "esta é a páscoa do Senhor"), em comemoração à libertação de Israel do cativeiro egípcio.
A Páscoa era celebrada durante seis dias consecutivos, a partir do dia 14 ao dia 21 do primeiro mês de Nissan do calendário judaico (dias 15 a 21, ente março-abril, em nosso calendário): Êx 12.2,18; Lv 23.4-8; Nm 9.1-5. Deus estabeleceu como estatuto perpétuo para os judeus: Êx 12.14: "E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor, nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo".
Como a Páscoa era celebrada? Naturalmente que não era com "ovos de chocolate"; não tinha nada a ver com o "coelhinho da páscoa". Os elementos da Páscoa eram: um cordeiro ou cabrito sem machas ou enfermidades, de um ano, assado no fogo, comido com pães ázimos (sem fermento) e ervas amargosas (v. 5,8).
3 CONTEXTO HISTÓRICO
A primeira celebração foi feita debaixo de grande pressão. Estavam na iminência de partir do Egito. Eles tinham que estar prontos, arrumados, comer apressadamente, pois a grande hora da libertação estava chegando (v.11).
O povo tinha passado cerca de 430 anos no Egito, conforme Êx 12.40; Gl 3.17. Deus tinha dito a Abraão que o cativeiro seria de 400 anos (Gn 15.13). Mas não há contradição. A NVI comenta Êx 12.40, dizendo que O Pentateuco Samaritano e a Septuaginta dizem "no Egito e em Canaã", ou seja, passaram 400 anos no Egito e 30 em Canaã. O certo é que Deus sempre cumpre as suas promessas!
Os judeus que acreditaram nas palavras de Moisés (Hb 11.28) tomaram do sangue dos cordeiros e passaram nas vergas das portas e em suas ombreiras. Ninguém podia sair de casa. Naquela noite fatídica, nas casas, que não estavam protegidas pelo sangue, morreram todos os primogênitos: Êx 12.13,22-23.
Deus incumbiu os pais de contar a seus filhos o que significava o ritual da Páscoa: "Que culto é este? Então direis: Este é o sacrifício da páscoa do Senhor" (v. 26-27).
4 UM TIPO DE CRISTO
A Páscoa bíblica do Velho Testamento apontava para o futuro. Era um tipo, uma representação profética de Cristo. Quando Jesus começou o seu ministério, ao dirigir-se a João, o batista, este lhe disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Jesus aí é claramente identificado como o cordeiro pascal.
Jesus, sendo judeu, celebrava a Páscoa. Desde criança não perdia as festividades pascais que eram realizadas no templo de Jerusalém: "Todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa e, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa" (Lc 2.41-42).
Ao aproximar-se o dia de sua paixão e morte, ele convoca seus discípulos para celebrar a última Páscoa. Naquela noite, ele revela aquele que haveria de traí-lo e, ao mesmo tempo, institui a Ceia do Senhor (Mt 26.20-30; Mc 14.22-26; Lc 22.14-20). A Bíblia de Genebra, ao comentar Mt 26.26-29, afirma: "Ao transformar sua última refeição pascal na instituição da Ceia do Senhor, Jesus mostra o constante enfoque na redenção, através de toda a revelação de Deus. A Ceia do Senhor demonstra a continuidade essencial que há entre a antiga e a nova aliança, revelando que o verdadeiro significado da Páscoa está no livramento efetuado pela morte de Jesus".
Ao exortar a Igreja de Corinto a corrigir-se de seus graves pecados, Paulo faz um paralelismo entre a festa dos pães ázimos (sem fermento) e a vida de pureza dos crentes em Cristo, que é a "nossa páscoa", o qual "foi sacrificado por nós" (1 Co 5.7). Assim que devemos celebrar a nossa Páscoa: tendo uma vida cristã íntegra, com "os ázimos da sinceridade e da verdade" (1 Co 5.8).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A celebração da Páscoa pelos cristãos nos tempos pós-apostólicos era uma continuação da festa judaica, mas não foi instituída por Cristo. Entrou no Cristianismo ocidental apóstata do Catolicismo Romano como parte dos esforços de adaptar festas pagãs ao Cristianismo. Seus elementos não são os da Páscoa bíblica, como comer bacalhau e outros peixes, a proibição de se comer carne, o uso do vinho, e chocolate.
Para reflexão:
- A Páscoa é uma festividade exclusiva dos judeus ou dos cristãos também?
- A Ceia do Senhor substituiu a Páscoa judaica?
- É correto para os evangélicos comer ovos da Páscoa?
PÁSCOA 1: PAIXÃO E MORTE DO SENHOR
Texto-central: Mt 26.47-56
1 INTRODUÇÃO
A história da paixão e morte de Cristo foi planejada e determinada na eternidade, antes da fundação do mundo, sob a perspectiva da presciência de Deus (Ap 13.8). No palco da história humana, entretanto, começou com os últimos acontecimentos de sua vida, narrados pelos quatro evangelistas. A paixão, morte e ressurreição de Cristo são os fatos mais relevantes desses evangelhos, a culminância de uma história de amor extraordinária de Deus pela humanidade decaída.
Vamos analisá-las passo a passo neste estudo:
2 OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS
Jesus tinha consciência de que viera para essa hora. A morte não foi um acidente, não foi algo que escapou ao seu plano, não foi algo que o pegou de surpresa. Desde o início de seu ministério, quando se livrava das perseguições, afirmava que não tinha ainda chegado a sua hora (Jo 8.20).
Do capítulo 13 ao 19 do evangelho de João, encontramos o último discurso de Jesus, o relato de sua paixão e morte. Em Jo 13.1, está escrito: "Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim". Jesus, então, dá as últimas instruções a seus discípulos. Lava-lhes os pés. Prediz a traição de Judas: "Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar" (13.18).
Jesus reforça o que havia ensinado aos seus discípulos nos três anos de ministério: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis" (Jo 13.34). Jesus prevê a negação de Pedro (Jo 13.38); promete a vinda do Espírito Santo, o "Outro Consolador" (Jo 14.16) e faz sua última oração (Jo 17), em que ele ora por si mesmo, por seus discípulos e por todos quantos no futuro creriam nele.
Chegando a tarde, Jesus celebra com seus discípulos a última Páscoa (Mt 26.20-30). Jesus ressignifica a Páscoa à luz de si mesmo. Ele é a Páscoa. Seus elementos representam seu corpo. Jesus transforma a Páscoa no que mais tarde a Igreja vai chamar de "Ceia do Senhor". Após a Páscoa, foram todos para o Monte das Oliveiras. Jesus diz a seus discípulos: "Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão" (Mt 26.31). Judas parte para traí-lo.
No Getsêmani, Jesus ora, enquanto seus discípulos, cansados, dormem. Jesus sente o peso da cruz. Ele percebe a gravidade, a hediondez de assumir sobre si as nossas iniquidades (Is 53.4-6:"mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos"). "E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão" (Lc 22.44). A medicina chama esse raríssimo fenômeno de hematidrose, que consiste "em excreção de suor sanguinolento por efeito de hemorragia das glândulas sudoríparas" (Dicionário do Google). Jesus não foge a seu destino: Ele ora ao Pai pedindo-lhe passar dele "este Cálice" de amargura, mas submete-se à vontade do Pai. Diz ele: "todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres" (Mt 26.39) e mais adiante reforça: ""Faça-se a tua vontade" (Mt 26.42).
3 PRISÃO, JULGAMENTO E MORTE DO SENHOR
Com um beijo Judas trai o Filho de Deus. Ele comanda a multidão, enviada pelo Sinédrio. Jesus é preso. Pedro reage, cortando a orelho do servo do sumo sacerdote. Jesus repreende Pedro, e lhe diz: "Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?" (Mt 26.54).
Jesus então é conduzido ao Sinédrio, perante o Sumo Sacerdote. Indagado por este se ele era "o Cristo, o Filho de Deus" (Mt 26.63), Jesus responde: "Tu o disseste"(v. 64). Jesus tornou-se "réu de morte" (v.66). Na presença do Sumo Sacerdote, cuspiram e bateram no rosto de Jesus.
Em seguida, Jesus, amarrado (Mt 27.2) é julgado por Pilatos, e condenado à crucificação. Pilatos lava as mãos, por querer satisfazer à multidão (Mt 27.24). O povo gritava: "Crucifica-o, crucifica-o!" Jesus foi açoitado, cuspido, tiraram-lhe suas roupas, colocaram sobre sua cabeça uma coroa de espinhos e saiu carregando a cruz sobre seus ombros.
Para reflexão e debate:
- Por que Cristo tinha que sofrer tudo isso por nós?
- O que temos feito por amor a Ele, diante de tão grande sacrifício por nós?
FORMATURA DE MAELE ANJOS COSTA
Texto: Lc 17.11-19
1 INTRODUÇÃO
Sinto-me bastante honrado pelo amável convite da família Dias Costa para partilhar desta memorável efeméride, por esta que deve ser uma das muitas conquistas na vida de nossa querida irmã e agora bacharela em Direito Maele Anjos Costa.
Essa família é também a nossa família. Seus pais e avós fazem parte de nosso círculo mais intimo de amizade. Vimos Maele desde que veio à luz em seu nascimento, e acompanhamos embevecidos e cheios de orgulho o seu crescimento.
Parabenizamos a formanda por essa conquista, por essa realização acadêmica. Você faz parte da minoria privilegiada dos que sonham e realizam, planejam e conquistam; dos que têm como projeto de vida o compromisso e a ação. Alguém já disse que "nós somos aquilo com que estamos comprometidos". De igual modo, o filósofo brasileiro, Mário Sérgio Cortella (2018, p.63), em sua última obra, "A sorte segue a coragem", destaca que "a palavra 'projeto' significa aquilo que você lança adiante, projetar é jogar adiante. Então eu jogo algo adiante e vou buscar". É preciso sair em busca do que se projeta. A sorte segue a coragem. Desse modo, Cortella (2018) defende que não basta ter sorte, não basta ter planos ou sonhos, mas é preciso ter coragem: disponibilidade de busca e competência para fazê-lo.
A minoria que vence, que ascende pelo estudo ou por uma carreira profissional bem-sucedida, é a que transpõe a ponte da qual os medrosos, os covardes, os limitados por tantos outros fatores debilitantes, não chegam nem ao seu limitar. Chegar até aqui é como respirar aliviado após duro e longo teste de sobrevivência! Longe da família, dos amigos, dos seus irmãos em Cristo, em uma cidade estranha, sem parentes, mas lançados na arena universitária em que só saem os que possuem garra, determinação e coragem.
Todos os dias no campo da educação lidamos com centenas de jovens. Raríssimos são os que possuem uma chama interior, aquele brilho no olhar, a fome e a sede pelo saber, pelos estudos, a busca pela profundidade e criticidade da reflexão, a construção de uma carreira profissional sólida e competente, o gosto acendrado pela leitura, pela descoberta do fascínio que envolve o Ser, os mistérios mais extraordinários da realidade.
2 FORMATURA É PONTO DE PARTIDA
A formatura - diga-se o óbvio - não é um ponto de chegada. É um ponto de partida. "Prosseguir" - diz Karl Barth em sua expressiva obra "Introdução à teologia evangélica" -, "é sempre recomeçar". Quem aprende a vencer, e é animado pela esperança, pela atenciosa expectativa de progresso, cada conquista é um degrau para novas experiências, para novas conquistas.
Hoje damos graças a Deus por essa vitória, suada, de muitas lutas e extenuantes esforços, mas, lembremos, Maele e demais formandos, à luz da Palavra Divina, se grandes são as conquistas, grandes são também as responsabilidades. "E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá" (Lc 12.48).
Tem sido fácil para muitas gerações de crentes serem fiéis a Deus, servirem com dedicação ao Senhor, enquanto são pobres ou enfrentam sérias dificuldades. O mais difícil, o mais raro, a experiência o comprova, é ser fiel e produtivo quando se passa a ganhar um bom salário, quando se melhora no emprego, quando se galga os degraus da fama e da prosperidade na vida social. No passado Deus já exortava seu povo acerca dessa situação: "Quando, pois, tiveres comido, e fores farto, louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu. Guarda-te que não te esqueças do Senhor teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno" (Dt 8.10-11). E nos versos seguintes diz: "E digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder. Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia" (Dt 8:17,18).
Deus a tem abençoado, cara Maele, para que você, compreendendo a sua vontade, possa colocar seus talentos e a sua vida a serviço do Senhor e do seu próximo, à semelhança de três grandes personalidades das Escrituras neotestamentárias: Pedro, Paulo e Jesus.
Pedro, embora de origem humilde, como pescador da Galileia, tornou-se um dos principais líderes da Igreja Primitiva. Após a ascensão de Cristo, Pedro lidera a Igreja. Pedro é a chave de Deus para abrir as portas do Evangelho para os judeus e os gentios. Até o primeiro concílio da Igreja em Jerusalém, Pedro é a principal figura do cristianismo nascente. Pedro permaneceu fiel a Cristo até o fim de sua vida. Tornou-se um mártir do cristianismo. Segundo a tradição, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo no Circo de Nero a seu próprio pedido, por não se sentir digno de morrer da mesma forma que o seu Senhor havia morrido. Um homem que viveu e morreu por amor a Cristo!
A outra grande personalidade é o apóstolo Paulo. Paulo disse certa vez: "Não fui desobediente à visão celestial" (At 26.19). Sua vida comprova isso. Tornou-se uma das mais importantes figuras do Cristianismo. Hernandes Dias Lopes (2009) escreveu sobre a biografia de Paulo, intitulada: "Paulo: o maior líder do cristianismo". Diz Lopes: "Quem era esse homem que provocava verdadeiras revoluções por onde passava? [...] Suas cartas ainda falam. Sua voz póstuma é poderosa. Milhões de pessoas são abençoadas ainda hoje pela sua vida e pelo seu legado. Cabe-nos, tão somente, agora, imitar esse homem como ele imitou Cristo". De fato, Paulo foi o maior missionário de todos os tempos. Não apenas evangelizou os judeus, mas o mundo do seu tempo, chegando a ensinar o Evangelho em Roma, a capital do Império Romano. Paulo escreveu grande parte das obras do Novo Testamento, 13 cartas, destacando-se a carta aos Romanos, o mais monumental e insuperável tratado teológico já escrito no mundo cristão. Paulo estabeleceu as bases da doutrina cristã. E já no fim de seus dias, escreveu: "Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At 20:24).
O terceiro exemplo é o de Jesus. Ele disse: "Não vim para ser servido, mas para servir..." (Mt 20.28). O servir, segundo Karl Barth, "é uma forma de querer, de atuar, de agir, na qual a pessoa não procede em defesa da própria causa nem segue a seus próprios planos, mas na qual age olhando a causa do outro, age de acordo com as necessidades e as ordens deste".
Augusto Cury escreveu uma coleção de obras em que ele analisa a inteligência de Jesus Cristo. Na obra, "O mestre dos mestres", Cury (1999, p.6-7) afirma sobre Jesus: "Houve um homem que viveu há muitos séculos e que não apenas brilhou em sua inteligência, mas teve uma personalidade intrigante, misteriosa e fascinante. Ele conquistou uma fama indescritível. O mundo comemora seu nascimento. [...] Ele destilava sabedoria diante das suas dores e era íntimo da arte de pensar. Esse homem foi Jesus Cristo. A história de Cristo teve particularidades em toda a sua trajetória: do seu nascimento à sua morte. Ele abalou os alicerces da história humana por intermédio da sua própria história. Seu viver e seus pensamentos atravessaram gerações, varreram os séculos, embora ele nunca tenha procurado status social e político. [...] Quando abriu a boca, produziu pensamentos de inconfundível complexidade. Tinha pouco mais de trinta anos de idade, mas perturbou profundamente a inteligência dos homens mais cultos de sua época. Cristo vivenciou sofrimentos e perseguições desde a sua infância. Foi incompreendido, rejeitado, zombado, cuspido no rosto. Foi ferido física e psicologicamente. Porém, apesar de tantas misérias e sofrimentos, não desenvolveu uma emoção agressiva e ansiosa; pelo contrário, ele exalava tranquilidade diante das mais tensas situações e ainda tinha fôlego para discursar sobre o amor no seu mais poético sentido".
Sei que seria até dispensável fazer aqui o panegírico de Jesus Cristo. Mas só para resumir, escrevi recentemente em um dos meus sermões o seguinte sobre Jesus Cristo: "É a figura central do Universo. Cristo é a personalidade mais interessante, mais importante deste mundo. Pessoas que se encontraram com ele tiveram suas vidas transformadas: a mulher samaritana, a mulher adúltera, os leprosos curados, o cego recuperado de sua visão, o coxo de nascença. Ao longo dos séculos o impacto de Cristo na formação cultural dos povos é inegável".
Pelo Deus que eles amaram, pelo legado que nos deixaram, eles são exemplo dos que vencem!
Deus está pronto a abençoá-la mais ainda, mas para quê? Essa é a grande pergunta. A essência da vida está aqui. Para que você quer riqueza, fama, poder, sabedoria, se não for para o bem da sua comunidade, como expressão do seu amor a Deus? "Todas as vossas coisas sejam feitas com amor" (1 Co 16.14).
3 FORMATURA É MOMENTO DE GRATIDÃO
Participando neste mês da cerimônia de formatura das turmas de Enfermagem e Nutrição na FTC, presenciei um ato de gratidão que me emocionou: um jovem, formando em Nutrição, e que fora um dos meus orientandos, ao receber seu diploma, virou-se para o público, levantou seus dois braços para o céu, ajoelhou-se levando seu rosto até o chão, levantou-se e depois cumprimentou as autoridades que compunham a mesa. Eu que frequentemente tenho participado de inúmeras formaturas, nunca tinha visto um gesto de gratidão tão corajoso e inusitado.
Esse episódio no ministério de Cristo ensina-nos várias lições muito preciosas sobre quem somos nós, e de como a gratidão, embora seja, como dizia Cícero, "não apenas a maior das virtudes, mas a mãe de todas as outras", é uma virtude rara entre os seres humanos.
Gratidão é um dos temas centrais do Cristianismo. Jesus é nosso protótipo de um ser grato. Ele não perdia a oportunidade de agradecer! Até mesmo naquele momento mais difícil de sua vida, quando seria traído e abandonado por seus discípulos, e já antevia o peso da cruz, celebrando a última páscoa, ele deu graças pelo pão (Lc 22.19).
Para Grif Alspach (2012), o termo "gratidão" se origina da palavra latina gratus, que significa "gratidão, apreciação da bondade". Gratidão tem sido conceituada como atitude, virtude moral, emoção, traço de personalidade, sentimento, motivação e dispositivo de enfrentamento. A natureza da gratidão se enquadra como uma das emoções empáticas. Um tema prevalente em todas as descrições desta emoção envolve o reconhecimento avaliativo de um dom altruísta.
O filósofo alemão Immanuel Kant ([s.d.], p.32) considerava a ingratidão, ao lado da inveja e da alegria proveniente do mal de outrem, como vícios diabólicos.
Ser grato, em seu sentido mais virtuoso, é dar valor ao que se tem, e se intensifica quando esse sentimento é compartilhado. Compartilhar a gratidão é um ato de amor. Sou a favor com muito entusiasmo pela participação dos formandos na solenidade de colação de grau. Tenho participado de muitas, como professor homenageado. Mas o mais emocionante é ver a felicidade estampada nas lágrimas e nas efusivas manifestações de alegria por parte dos pais e familiares. Aquele diploma não é só do formando, mas de todos que estiveram por trás, incentivando, ajudando e sustentando de alguma forma para a obtenção daquela vitória.
Para Facioli (2012), a gratidão é reconhecimento da participação de outras pessoas em nossa vida. Para que isso aconteça é necessário que se seja humilde para dividir a felicidade com outros. O indivíduo egoísta se compraz com o bem que recebe, mas fica para si mesmo. "Por isso", diz Comte-Sponvile (2000, p.146), "o egoísta é ingrato: não porque não goste de receber, mas porque não gosta de reconhecer o que deve a outrem, e a gratidão é esse reconhecimento, porque gosta de retribuir, e a gratidão, de fato, retribui com o agradecimento, porque gosta de partilhar, porque gosta de dar. (...) O egoísta é incapaz disso, pois só conhece suas próprias satisfações, sua própria felicidade, pelas quais zela como um avaro por seu cofre. A ingratidão não é incapacidade de receber, mas incapacidade de retribuir - sob a forma de alegria, sob a forma de amor - um pouco da alegria recebida ou sentida".
Facioli (2012) afirma que: "A gratidão é sempre boa na medida da alegria que a acompanha".
Apenas um voltou para agradecer! Até Jesus admirou-se disso (v. 17-18). E não era nem judeu, mas um samaritano!
No verso 15, está escrito que: "E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz". Ser grato constitui-se uma maneira de se ver e ver o mundo. Faz parte de certo estilo de vida. É uma virtude que deve ser cultivada até o ponto de fazer parte da natureza da pessoa.
5 CONCLUSÃO
O genial mestre da jurisprudência brasileira, Rui Barbosa, em sua Oração aos Moços, essa monumental peça oratória, proferida na solenidade de formatura da turma de Direito da Universidade de São Paulo, em 1921, conclui seu discurso dando os seguintes conselhos aos formandos em Direito: "Legalidade e liberdade são as tábuas da vocação do advogado. Nelas se encerra, para ele, a síntese de todos os mandamentos. Não desertar a justiça, nem cortejá-la. Não lhe faltar com a fidelidade, nem lhe recusar o conselho. Não transfugir da legalidade para a violência, nem trocar a ordem pela anarquia. Não antepor os poderosos aos desvalidos, nem recusar patrocínio a estes contra aqueles. Não servir sem independência à justiça, nem quebrar da verdade ante o poder. Não colaborar em perseguições ou atentados, nem pleitear pela iniquidade ou imoralidade. Não se subtrair à defesa das causas impopulares, nem à das perigosas, quando justas. Onde for apurável um grão, que seja, de verdadeiro direito, não regatear ao atribulado o consolo do amparo judicial. Não proceder, nas consultas, senão com a imparcialidade real do juiz nas sentenças. Não fazer da banca balcão, ou da ciência mercatura. Não ser baixo com os grandes, nem arrogante com os miseráveis. Servir aos opulentos com altivez e aos indigentes com caridade. Amar a pátria, estremecer o próximo, guardar a fé em Deus, na verdade e no bem" (BARBOSA, [s.d.], p.118-119).
Uma pérola começa a se formar quando um grão de areia penetra no corpo da ostra e causa irritação. A ostra, então, como defesa, libera uma substância, chamada nácar, que se deposita ao redor do grão. As camadas de nácar depositadas no grão formam uma substância lisa e compacta. Após muitos meses ou anos deste processo, a pérola é formada.
Como uma pérola, formada por Deus, nesses 5 anos de grande sacrifícios, você agora já se tornou uma joia preciosa aos olhos do Senhor. A pérola surge de um simples grão de areia. O grão de areia não se torna pérola sem grandes irritações. Assim também é o múnus advocatício: ele é forjado através de noites de temor e tremor, dias sem fim de solidão e de batalhas íntimas, de fadiga e dor emocional constantes, da convergência de ódio e amor, das críticas e julgamentos inumeráveis, de muitas lutas como a de Jacó com Deus no vau (trecho raso do rio) de Jaboque (Gn 32.22-30).
Balbina, mãe de Maele, escreveu sobre sua filha formanda: "Sua caminhada foi tranquila e segura, palmilhada com o afinco e responsabilidade que lhe são inerentes, e refletem nos resultados que hoje celebramos. Escolheu o curso de Direito, e como ela costuma falar, passaram-se 5 anos e 64 meses, enfrentou 2 greves, uma ocupação e várias alegrias! Conquistou amigos, colegas e irmãos em Vitória da Conquista e com eles hoje celebramos e rendemos a Deus toda honra e glória!"
Que nessa nova jornada, nesse novo status de vida, você não se desvie dos caminhos do Senhor, nem se orgulhe a ponto de se afastar das pessoas com as quais mantém relacionamento, e, assim, venha a destruir suas amizades, sua participação na Igreja de Cristo. Seja fiel, dedicada, comprometida a Cristo. Seja luz para a sua geração, com a bênção de Deus. Amém.
REFERÊNCIAS
ALSPACH, Grif. Estendendo a tradição de dar Graças: Reconhecendo os benefícios para a saúde da Gratidão. Disponível em:< https://translate .googleusercontent . com / translate_c?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&rurl =translate.google. com .br&twu = 1 & u =https://ccn.aacnjournals .org/ content/29/6/12.full&usg=ALkJrhhkXi7ILhZPnUQt34JUjo_7JwgwNg>. Acesso em: 09 jun.2012.
BARBOSA, Rui. Oração aos moços. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, [s.d.].
BARTH, K. Introdução à teologia evangélica. RS: Sinodal, 1996.
Comte-Sponville, A. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
CURY, Augusto Jorge. O mestre dos mestres. São Paulo: Academia de Inteligência, 1999.
FACIOLI, Adriano. A gratidão. Disponível em: <https://www. redepsi. com . br / portal / modules /soapbox/article.php?articleID=389. Acesso em: 09 jun. 2012.
KANT, I. A religião nos limites da simples razão. São Paulo: Escala, [s.d.].
LOPES, Hernandes D. Paulo: o maior líder do cristianismo. SP: Hagnos, 2009.
CORAÇÕES GRATOS
TEXTO: SL 100.4
"Gratidão não é apenas a maior das virtudes, mas a mãe de todas as outras." Cícero
1 INTRODUÇÃO
Nesse Salmo, o salmista qualifica várias atitudes daqueles que entram no santuário para adorar ao Senhor: celebrar com júbilo, servir com alegria, chegar diante dele com canto, entrar pelas portas com gratidão e entrar no santuário com louvor. Salmista convida o adorador a entrar no Santuário com "gratidão". Nossas igrejas seriam ambientes mais agradáveis de se conviver, nossos cultos mais tocantes e expressivos, se observássemos essa recomendação bíblica.
Gratidão é um dos temas centrais do Cristianismo. Jesus é nosso protótipo de um ser grato. Ele não perdia a oportunidade de agradecer! Até mesmo naquele momento mais difícil de sua vida, quando seria traído e abandonado por seus discípulos, e já antevia o peso da cruz, celebrando a última páscoa, ele deu graças pelo pão (Lc 22.19).
2 CONCEITOS DE GRATIDÃO
Para Grif Alspach (2012), o termo "gratidão" se origina da palavra latina gratus, que significa "gratidão, apreciação da bondade". Gratidão tem sido conceituada como atitude, virtude moral, emoção, traço de personalidade, sentimento, motivação e dispositivo de enfrentamento. A natureza da gratidão se enquadra como uma das emoções empáticas. Um tema prevalente em todas as descrições desta emoção envolve o reconhecimento avaliativo de um dom altruísta.
Ainda segundo Alspach (2012), a gratidão pode ser conceituada levando-se em conta três componentes:
- Qualidade ou condição de ser gratos; a apreciação de uma inclinação para retribuir a bondade;
- Um sentimento de admiração, gratidão e apreço pela vida;
- Um estado cognitivo-afetivo, prototipicamente relacionado com a percepção de que alguém tenha recebido um benefício pessoal, que não foi nem ganhou nem merecia, mas conferida por intermédio das boas intenções de alguma fonte benevolente.
Pode-se dizer, com base na análise desses componentes, que o contrário da gratidão não é tanto o egoísmo, mas o esquecimento, o descaso, a indiferença, por isso que Deus, no Antigo Testamento, advertia seu povo para não se esquecer dele, quando estivessem bem, fartos e prósperos (vd. Dt 8.10-18).
Kant ([s.d.], p.32) considerava a ingratidão, ao lado da inveja e da alegria proveniente do mal de outrem, como vícios diabólicos.
3 EFEITOS TERAPÊUTICOS DA GRATIDÃO
Em pesquisas feitas através de Emmons e McCullough (2003), chegou-se à conclusão de que o hábito de observar e saborear gratidão na vida da pessoa desempenha um efeito notável na melhoria do bem-estar, produzindo significativamente maior felicidade, otimismo, satisfação com a vida, progresso maior em alcançar importantes objetivos de vida, maior frequência de sentir-se amado, menor incidência de estresse e depressão.
Isso quer dizer que aqueles nove leprosos (Lc 17.11-19) que não retornaram para agradecer a Jesus pela cura física, vão continuar doentes em outros aspectos de sua existência. Vão continuar com o senso de dívida. Gratidão e endividamento são coisas distintas: "Gratidão e endividamento não são apenas diferentes uns dos outros, mas eles levam a comportamentos muito diferentes. Quando você sente gratidão, você quer buscar o seu benfeitor e melhorar seu relacionamento com ele. Você experimenta sentimentos positivos, como felicidade, contentamento, gratidão. Quando você sentir endividamento, você sente a pressão externa para pagar o benfeitor de volta; quando você não tem um forte desejo de retribuir o favor, na verdade, você pode até tentar evitar o benfeitor. Endividamento quase sempre evoca sentimentos negativos como a vergonha, arrependimento, raiva e inquietação".
No verso 15, está escrito que: "E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz". Ser grato constitui-se uma maneira de se ver e ver o mundo. Faz parte de certo estilo de vida. É uma virtude que deve ser cultivada até o ponto de fazer parte da natureza da pessoa.
No verso 16, o samaritano (não era nem judeu, de quem se esperava ter essa sensibilidade moral) deu-lhe graças, ajoelhando diante de Jesus. A melhor forma de gratidão não consiste justamente quando se traduz em adoração? Adoração é sempre uma resposta grata, um reconhecimento à grandeza da bondade e da graça do nosso Deus!
4 TIPOS DE GRATIDÃO
Adriano Facioli (2012), em artigo sobre a gratidão, reconhece haver dois tipos de gratidão; para com a vida e para com os outros. Muitas pessoas só conseguem agradecer quando se comparam a outros menos afortunados. Geralmente dizem assim: "Agradeça por ter um corpo perfeito; por ter uma casa, alimento, saúde, por ser parte de uma minoria privilegiada...". Alegra pela comparação com as desgraças dos outros. É uma forma infeliz de gratidão. Tem o mal do outro como condição.
Ser grato, em seu sentido mais virtuoso, é dar valor ao que se tem, e se intensifica quando esse sentimento é compartilhado. Compartilhar a gratidão é um ato de amor.
Para Facioli (2012), a gratidão é reconhecimento da participação de outras pessoas em nossa vida. Para que isso aconteça é necessário que se seja humilde para dividir a felicidade com outros. O indivíduo egoísta se compraz com o bem que recebe, mas fica para si mesmo. "Por isso", diz Comte-Sponvile (2000, p.146), "o egoísta é ingrato: não porque não goste de receber, mas porque não gosta de reconhecer o que deve a outrem, e a gratidão é esse reconhecimento, porque gosta de retribuir, e a gratidão, de fato, retribui com o agradecimento, porque gosta de partilhar, porque gosta de dar. (...) O egoísta é incapaz disso, pois só conhece suas próprias satisfações, sua própria felicidade, pelas quais zela como um avaro por seu cofre. A ingratidão não é incapacidade de receber, mas incapacidade de retribuir - sob a forma de alegria, sob a forma de amor - um pouco da alegria recebida ou sentida".
Muitas pessoas vivem amarguradas por não poder pagar um benefício recebido. Nesses casos o benefício tornou-se maldição, fonte de sofrimento e dor. Facioli (2012) afirma que: "A gratidão é sempre boa na medida da alegria que a acompanha". Há dívidas que são impagáveis, como a de muitos pais que se sacrificam pelos filhos ou a de Cristo por nós na cruz do Calvário. Nesse sentido, Comte-Sponville (2000), conclui que a gratidão "se rejubila com o que deve".
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quem não gosta de agradecer, vai achar do que reclamar. Essa é uma lei natural de nossa existência.
Nas Escrituras, somos incentivados a sermos gratos. Paulo disse: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens" (1 Tm 2:1). "Por tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus (1 Ts 5:18). Por isso, é necessário crescer em ações de graças (Colossenses 2:7). No Sl 116.12-14, aprendemos que a melhor forma de gratidão a Deus é adorá-lo, glorificando o seu Nome.
Por isso, louvamos e glorificamos ao Senhor por nossa vida, pela salvação em Cristo, pela dádiva da vida eterna, pelo perdão de nossos pecados, pela dádiva da Igreja para este mundo em crise, por nossa família. E que o Senhor continue nos abençoando a cada dia deste ano.
REFERÊNCIAS
ALSPACH, Grif. Estendendo a tradição de dar Graças: Reconhecendo os benefícios para a saúde da Gratidão. Disponível em:< https://translate .googleusercontent . com / translate_c?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&rurl=translate.google. com .br&twu = 1 & u =https://ccn.aacnjournals.org/content/29/6/12.full&usg=ALkJrhhkXi7ILhZPnUQt34JUjo_7JwgwNg>. Acesso em: 09 jun.2012.
Comte-Sponville, A. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
EMMONS, R.A.; MCCULLOUGH, M.E. Contando as bênçãos contra sobrecargas: uma investigação experimental de gratidão e bem-estar subjetivo na vida diária. J Pers Soc Psychol 2003; 84:.. 377 -389. CrossRef Medline.
FACIOLI, Adriano. A gratidão. Disponível em: <https://www. redepsi. com . br / portal / modules /soapbox/article.php?articleID=389. Acesso em: 09 jun. 2012.
KANT, I. A religião nos limites da simples razão. São Paulo: Escala, [s.d.].
Watkins, P., Scheer, J., Ovnicek, M., & Kolts, R. (2006). A dívida de gratidão: Gratidão dissociação e endividamento. Cognição & Emoção, 20 (2), 217-241. Disponível em: < https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http ://www . insightlearning.com/classroom/bl-gratitude/lesson3.asp>. Acesso em: 09 jun. 2012.
A IGREJA E O AVIVAMENTO BÍBLICO PELA ORAÇÃO
Texto: Habacuque 3.2
INTRODUÇÃO
Muito importante abordar tal assunto. Não é o tipo de coisa que nós, batistas tradicionais, enfocamos, mas precisamos bastante disso.
Quando falamos sobre "avivamento", vem-nos à mente aquele tipo de avivamento muito no estilo pentecostal ou neopentecostal, com fortes apelos emocionalistas, sessões de exorcismos, gritaria, línguas estranhas ou êxtases místicos. Não, não se pode confundir o avivamento bíblico com essas coisas.
A oração de Habacuque ainda pode ser a nossa oração para nossos dias. Embora tenha havido um grande crescimento do protestantismo no Brasil, já ultrapassando os 50 milhões, infelizmente não apresenta a essência do cristianismo bíblico.
Muitas igrejas estão engordando, usando disfarce de crescimento. Muitas se parecem com clubes sociais, com ONGs que fazem serviços humanitários ou na pior das hipóteses, com orfanatos: muitos filhos dos outros juntos, mas não filhos de Deus!
A frieza moral e espiritual em nossas igrejas é muito notória. Um caso típico que poderíamos citar diz respeito ao descaso contra oração, inclusive contra os cultos de oração na igreja. Apenas cerca de 10% dos membros da maioria de nossas igrejas frequentam os cultos de oração. Esse deveras é um dos principais sintomas dessa crise espiritual que enfrentamos hoje.
É chegada a hora de fato de nos despertarmos do sono, como nos alerta Paulo em Rm 13.11-14. Paulo alista aí o que fazem os que estão dormindo espiritualmente: desonestidade, glutonaria, bebedeiras, imoralidade sexual, infidelidade conjugal, brigas e inveja.
2 O QUE É O AVIVAMENTO
O dicionário online Significados (2018) conceitua avivamento como "o ato de se avivar, ou seja, de se tornar mais vivo, mais ativo, mais intenso, despertado e nítido. Este é um termo bastante usado no âmbito religioso para se referir ao período de renovação espiritual".
- Is 44.1-5 - devemos clamar por esse derramamento dessas bênçãos do Senhor sobre o seu povo. Qual era a realidade que eles viviam? Está descrita em Is 33.7-10: "A terra geme e pranteia". É o que estamos vivendo em nossa época.
- O avivamento é obra do Senhor, embora devamos ter a disposição de buscá-lo. Sl 80.3; 85.6-7.
Um caso típico de avivamento podemos destacar na história de Jonas, em sua missão de evangelizar os Ninivitas. Vd Jn 3.3-10. Atinge do menor ao maior, além dos animais. Humilham-se, arrependem-se e se convertem ao Senhor. Eles "creram em Deus" (v. 5). O rei chega até a ordenar que o povo "ore ao Senhor". Não pode haver avivamento sem oração!
3 AS BASES DO AVIVAMENTO: ORAÇÃO, SANTIDADE DE VIDA E FERVOR EVANGELÍSTICO
Paulo pede à igreja de Tessalônica: "Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague, e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós" (2 Ts 3.1). Marcel Malgo (1996) diz em um importante artigo sobre avivamento: "A palavra do Senhor se propagando e sendo glorificada já é avivamento. E exatamente por isso o apóstolo pediu que a igreja intercedesse por um despertamento. Será que nós também não temos que orar muito mais por despertamento?" "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti" (Ef 5.14).
O avivamento que ocorreu na Argentina foi regado a muita oração. Em todos os encontros, a oração era o foco. Dos jovens aos adultos, havia um clamor pelo crescimento da igreja. As igrejas evangélicas eram todas pequenas. Conversões aconteciam com raridade. E começaram a clamar! Fabrício Carneiro (2012) escreveu sobre esse movimento na Argentina, afirmando que o avivamento começou em 1967, em Buenos Aires; Albert Darling, filho argentino de um cristão irlandês, começou uma reunião de oração toda segunda-feira em sua casa com um grupo de uns vinte irmãos.
À medida que se reuniam para orar por um avivamento nas igrejas da Argentina, o grupo de oração cresceu de tal forma que logo se tornou impossível continuar reunindo-se naquela casa. Alugaram um salão que também ficou pequeno e o mesmo aconteceu com um grande templo colocado à disposição deles, obrigando-os a mudar o grupo de oração para um teatro com capacidade para 1.500 pessoas. Como resultado deste mover, cerca de uns dez pastores, participantes regulares das reuniões, começaram a encontrar-se todo sábado para desenvolver um relacionamento mais íntimo. Com o tempo este número chegaria a cerca de 25 líderes, destacando-se: Orville Swindoll, missionário americano; Keith Bentson, missionário americano; Ivan Baker, argentino de descendência inglesa; Jorge Himitian, armênio nascido em Haifa, Palestina, cuja família se radicou na Argentina quando ele era um garoto de 7 anos; e Juan Carlos Ortiz, pastor argentino das Assembleias de Deus (CARNEIRO, 2012).
Foi um avivamento de caráter pentecostal. A igreja cresceu rapidamente. Chegou a 12% da população, ou seja, cerca de 50 mil evangélicos. A religião oficial é o Catolicismo Romano. O movimento acabou sendo fraturado com o tempo. Um dos líderes do movimento adulterou. Os demais colegas votaram pela permanência desse líder no movimento. O grupo se dividiu. Lição que aprendemos: não queremos um avivamento que fira os princípios bíblicos! Nenhum movimento se sustentará por longo tempo se não se alicerçar nas Escrituras. Is 8.20: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles!"
Não pode haver avivamento também se a igreja não tiver fervor evangelístico. Se não há um clamor por crescimento, por ver almas sendo salvas, não acontecerá o avivamento.
Com a morte de Billy Graham, fomos despertados pelas grandes campanhas evangelísticas desenvolvidas pelo grupo dele. Trazemos à lembrança a Cruzada evangelística realizada na Inglaterra em 1954. Houve uma forte oposição tanto de políticos como da mídia. Mas nada impediu a ação de Deus sobre os ingleses. Mais de 2 milhões de pessoas assistiram à Cruzada. Mais de 40 mil se converteram. A imprensa ridicularizou e menosprezou essas conversões. Diziam que as pessoas foram influenciadas pelo apelo emocional da música "TAL QUAL ESTOU". Billy tomou a decisão de fazer o apelo sem música. Ele ficava em silêncio. Só se ouviam as pisadas das pessoas indo para a frente do púlpito. Ao final, vários jornalistas pediram que cantassem novamente Tal Qual, pois o silêncio era muito constrangedor!
Muitos daqueles jovens se converteram foram para o seminário, provocando um grande avivamento espiritual entre os ingleses. Encheram os seminários. A obra missionária mundial recebeu grande impulso. Queremos hoje um avivamento evangelístico e missionário em nosso país. Mt 9.38: "Rogai ao Senhor da seara que mande obreiros para a sua seara!"
Conclusão
Vamos nossos corações com o desejo sincero de avivamento em nossas igrejas! Que haja crescimento saudável, amadurecimento, consagração de vidas para o Senhor (Rm 12.1-2), menos mundanismo em nossa juventude, mais fidelidade dos crentes na obediência à Palavra de Deus, mais compromisso dos crentes com a sua igreja. Amém!
REFERÊNCIAS
CARNEIRO, Fabrício. História do avivamento na Argentina. 2012. Disponível em:< https://fabriciocarneiro.wordpress.com/2012/06/09/a-historia-do-avivamento-na-argentina/> . Acesso em: 01 mar. 2018.
MALGO, Marcel. Deus Quer Dar Avivamento. 1997. Disponível em: <https://www.chamada.com.br/mensagens/avivamento.html>. Acesso em: 01 mar. 2018.
SIGNIFICADOS. O que é avivamento. Disponível em: < https://www.significados.com.br/avivamento/ >. Acesso em: 28 fev. 2018.
ELIAS NA CAVERNA
Texto básico:1 Rs 19.1-21
1 INTRODUÇÃO
A experiência existencial de Elias é essencialmente humana. Em várias circunstâncias de nossa vida passamos por momentos como das que ele passou: de medo, depressão e solidão. Entramos em nossas cavernas, tentando nos isolar do mundo.
Podemos destacar três lições tomando como base esse episódio ocorrido na vida do profeta Elias.
1ª - A VIDA TEM ALTOS E BAIXOS
Elias foi um importante profeta do Antigo Testamento. Era natural de Tisbe, por isso era chamado de o Tisbita. Exerceu seu ministério no reino do Norte no séc. IX a.C. Ele é mencionado várias vezes em o Novo Testamento, principalmente relacionado ao ministério de João Batista. Ele aparece, juntamente com Moisés, no monte da transfiguração de Jesus: Mt 17.1-3; Mc 9.4).
Elias exerceu um ministério profético de poder e coragem. Enfrentou o ímpio e cruel Acabe. Destruiu os 450 profetas de Baal. Orou para não chover por três anos e seis meses e, assim, de fato, aconteceu. Só voltou a chover após ele orar novamente (Tg 5.17-18).
Após momentos de grandes proezas, sendo ameaçado por Jezabel, esposa sanguinária e idólatra de Acabe, Elias foge com medo, para salvar sua vida (v.2). Isso nos ensina uma lição importante: não importam quantas vitórias tenhamos conquistado no passado. Tudo muda. A vida é dinâmica: vem a enfermidade, o desemprego, o luto, os conflitos conjugais. Há um princípio, uma lei, ou um ser, de natureza má, imperando no mundo (Rm 7.23).
Ao fugir, Elias ultrapassa a linha, para baixo, da saúde mental. Podemos destacar pelo menos cinco sentimentos destrutivos enfrentados pelo profeta de Deus:
- Medo - ele foge de Jezabel - v. 3. Sabemos que o medo é estado afetivo ou emocional gerado pela percepção de um perigo. O medo é necessário à nossa sobrevivência. A viúva de Sarepta ficou com medo de passar fome se o alimentasse, mas Elias lhe diz para não ter medo (17.13). Elias lhe promete: "Porque assim diz o Senhor Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra"(1 Rs 17:14)Pessoas sem medo pode ter vida curta ou sofrer grandes males por sua impulsividade ou ignorância. Neste caso aqui, o medo de Elias não era uma angústia irracional ou sem fundamentos, embora ele tenha entrado em crise espiritual. Não foi ele que derrotou 450 falsos profetas? Agora tem medo de uma mulher?
- Solidão - Ele preferiu ficar a sós (v. 3). Deixou seu servo em Berseba e seguiu sua peregrinação em direção ao deserto. Essa sensação de querer isolar-se, de fugir do mundo, é um dos principais sintomas da depressão. Davi passou por isso, quando afirmou no Sl 25.16: "Estou solitário e aflito".
- Pensamentos suicidas - v. 4. Elias chega ao clímax da depressão quando pede a Deus tirar sua vida. Moisés passou por isso, embora por motivos diferentes: Nm 11.15; Paulo: 2 Co 1.8-11 e Davi: Sl 55.4-8. As estatísticas dizem que a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo. Muitos desses suicídios são em decorrência da depressão.
- Baixa autoestima - v. 4. "Não sou melhor do que meus pais". A depressão afeta diretamente a distorção na percepção do "eu", "de si mesmo", do ser em sua essência. Por isso Paulo recomenda o equilíbrio nessa questão: Rm 12.3. Na igreja, muitas vezes encontramos irmãos nessa situação: "Ninguém me ama"; "Ninguém se preocupa comigo"; "Eu não valho nada"; "Sou um inútil", etc.
- Sentimento de impotência - v. 10. "Só eu fiquei". Muitas vezes pensamos assim como Elias: "Fracassei em minha missão"; "Ninguém se converte com minhas pregações"; "Faltam crentes fiéis"; "Estou sozinho nesta luta". Mas Deus retruca ao seu servo e lhe diz: "Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou" (v.18).
2ª - DEUS NÃO DESAMPARA OS SEUS SERVOS - V. 5-7.
Mesmo fugindo para o deserto, Deus não desampara seu servo. Deus alimenta o profeta de forma sobrenatural: um anjo trouxe-lhe pão cozido sobre as brasas e uma botija de água. A maneira do agir de Deus é inusitada!
O próprio Elias já tinha experimentado como Deus age de forma impensável para o homem em certas circunstâncias da vida: durante a seca, foi alimentado por corvos e por uma viúva pobre (1 Rs 17.2-16).
Quando achamos que não há mais saída, Deus vem com providência. Pedro sabia muito bem disso (At 12.1-8). Pedro fora preso por Herodes Antipas, o mesmo que tinha matado o profeta João Batista. Seria inevitavelmente morto após a Páscoa, mas enquanto Pedro estava preso, a igreja orava por ele. Na noite anterior ao dia de seu martírio, Deus enviou-lhe um anjo, que lhe disse: "Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias" (v. 7). Por isso, mais tarde, ele escreveu em sua primeira carta: "Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" - (1 Pe 5.7).
Não devemos perder as esperanças: "Sejam fortes e corajosos, todos vocês que esperam no Senhor! (Sl 31:24); "Nossa esperança está no Senhor; ele é o nosso auxílio e a nossa proteção" (Sl 33:20).
3ª - DEUS TEM UM PLANO NA VIDA DE CADA UM - V. 11-17
Ainda não tinha chegado o tempo de Elias partir. Deus tem um plano na vida de cada um dos seus servos. Temos que cumprir os planos de Deus, não importam as durezas que tenhamos que enfrentar!
Deus disse para Elias e também diz para todos nós: "Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor" (v. 11). Duas importantes coisas são ditas aí pelo Senhor: sair da caverna (desses sentimentos danosos de vitimização) e se colocar diante do Senhor. Duas belíssimas metáforas para a nossa vida! Poderíamos até relacioná-las ao mito da caverna de Platão, que se encontra em sua obra A República. Sair da caverna para iluminação de Deus!
Elias ainda tinha três missões a cumprir: ele deveria ungir Hazael como rei da Síria, a Jeú como rei de Israel e a Eliseu como seu substituto. Antes de ser arrebatado para o céu, Eliseu assumir seu ministério profético, com uma "porção dobrada" do espírito de Elias (2 Rs 2.9). Partiu Elias para a glória eterna sem ter passado pela morte comum dos mortais.
4 CONCLUSÃO
Devemos fazer a vontade de Deus enquanto estivermos neste mundo. Vamos dizer como Paulo: "Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At 20:24).
VIVENDO COMO MARIA EM TEMPOS DE MARTA II
Texto: Lc 10.38-42
1 INTRODUÇÃO
No Reino de Deus há todo tipo de cristão no que diz respeito à diversidade espiritual. Há crentes com mais intimidade e comprometimento com Deus do que outros.
Como viver como Maria em uma época como a nossa marcada pela velocidade, superfluidade, descartabilidade e hiperconsumismo?
2 CULTIVANDO A ESPIRITUALIDADE COM DEUS
Maria demonstra ter mais sensibilidade, percepção e foco em Jesus: 2 Tm 2.8; Rm 11.36; 1 Co 10.31.
Não é Deus quem faz o favoritismo. Oswald Sanders destaca que "ambas a Escritura e a experiência ensinam que nós, e não Deus, que determinamos o grau de intimidade com Ele". Se dependesse de Deus, todos seriam altamente espirituais. É o que Pedro ensina em sua segunda carta, cap. 1.3-8.
4 DEGRAUS DA INTIMIDADE COM DEUS
1º - O POVO FORA - Êx 19.11-12;
2º - MOISÉS E OS SACERDOTES - ÊX 24.9-11. No v. 1 "e adorai de longe". Muitos estão assim hoje em dia: adorando a Deus de longe, ficando em casa.
3º - MOISÉS E JOSUÉ - Êx 24.13-14; Ex 33.10-11;
4º - O CÍRCULO MAIS ÍNTIMO - Êx 24.14-17. O lugar em que Deus está presente: Ex 33.13-15; Nm 12.7-8. Moisés pede a perspectiva divina acerca dos princípios de ação de Deus.
Ex 33.18 - intimidade com Deus resulta em contemplar a sua glória. Jo 11.40.
Sua pele resplandeceu - Ex 34.29. É possível perceber a mudança na vida daquelas pessoas que mantêm intimidade com Deus. Veja-se o caso de Eliseu em 2 Rs 4.8-9: "tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus". Há sempre alguém nos observando! Sl 25.14: "A intimidade do Senhor é para os que o temem".
3 - A PAIXÃO DE MARIA POR JESUS
É perceptível a paixão, o amor de Maria por Jesus. Estar apaixonado é desejar estar com a pessoa amada. Isso é uma coisa forte, de tal maneira que, em sua ausência, a pessoa sofre, vive sonhando e pensando nessa pessoa o tempo todo. Quando se ama o Senhor, o crente quer passar tempo com ele.
- Is 55.6 - Buscai ao Senhor. Isso requer fé. Deus faz o mesmo conosco: 1 Jo 4.19.
- Jr 29.12-14 - Quando me buscarem de todo o coração.
- Mt 22.37 - Esse é o tipo do amor apaixonado, integral, incondicional: de todo o coração.
4 CONCLUSÃO
Como você tem, e até que ponto, amado ao Senhor? Como tem sido seu relacionamento com Deus?
VIVENDO COMO MARIA EM
TEMPOS DE MARTA I
Carlos Magno V. da Silva
Texto: Lc 10.38-42
1 INTRODUÇÃO
Como viver como Maria em um tempo marcado pela pressa, muitas ocupações, pressões e apertos de todos os lados? O quadro que Jesus encontra na casa dessas duas amigas e servas representa muito bem a vida agitada de nossos dias. Tem-se trabalhado muito; preocupações de todos os tipos e não se tem tempo para quase nada. O que resta da vida, muitas vezes, é o cansaço.
É possível aprender desse episódio pelo menos três importantes lições sobre o amor cristão:
2 AMOR FAMILIAR - O VALOR DA HOSPITALIDADE
Betânia ficava a 3 km de Jerusalém. Moravam lá Marta, Maria e Lázaro, amigos de Jesus. Jesus sabia que as portas daquela casa estavam sempre abertas para ele.
McCasland (2010) afirma que no Novo Testamento, a hospitalidade é a marca registrada da vida cristã. É uma das características dos líderes da igreja (1 Timóteo 3:2; Tito 1:8) e está ordenado a todos os seguidores de Jesus como uma expressão de amor (Romanos 12:13; 1 Pedro 4:9). Mas seu significado vai além de ser um bondoso anfitrião ou abrir nossos lares para convidados. A palavra "hospitalidade" no grego significa "amor pelos estranhos". Em Rm 12:13. Paulo fala sobre relacionamentos com pessoas que estão em necessidade, e esta não é uma tarefa fácil.
Hb 13.2 alerta os cristãos quanto ao valor da hospitalidade. Diz aí que no passado alguns até chegaram a hospedar anjos (Gn 18:1-8; 19:1-3). A hospitalidade é uma forma de servir a Deus; é também uma maneira de amar as pessoas. Ela evidencia afeto e generosidade: 1 Pe 4.9-10; Rm 12.10-13. A hospitalidade é uma das obras de caridade, conforme Jesus ensinou em Mt 25.43.
Sempre se volta para onde se é bem acolhido, onde se é amado. Jesus tinha uma amizade especial por aquela família. Há pessoas que transformam suas casas em um ambiente aconchegante, ponto de encontro entre amigos.
Sua casa é um lar de aconchego e paz? Vamos lembrar daquele cântico, de Eyshila, intitulado Casa de Bênção:
Minha casa será uma casa de bênção
Minha casa será um pedaço do céu
Nela estarão reunidos adoradores
Que só exaltam ao Deus verdadeiro e fiel
Minha casa será reconhecida
Como um lugar de milagres e oração
Onde Jesus tem prazer em ficar
Onde o Espírito Santo habita
Onde há prosperidade, amor e vida
Faça do meu lar, Senhor
Um lugar de harmonia
Faça do meu coração
Tua casa todo dia
Esteja à vontade pra ficar
E nunca mais partir
Pois a casa que um dia te recebeu
Nunca mais saberá viver sem ti.
3 O AMOR PRÁTICO DE MARTA
Cada um ama e serve ao Senhor de acordo com o seu jeito de ser, com seus dons e seus recursos. Nessa passagem das Escrituras, encontramos mais dois tipos de amor: o amor prático de Marta e o amor afetuoso de Maria.
O amor de Marta é prático, vivencial, traduzido pelo serviço. Esse é o tipo de amor que quer dar o melhor de si e do que tem para o outro, que se esforça por seu bem-estar. Há muitas mulheres, principalmente mães e esposas, cujo amor é demonstrado não tanto pela afetividade e carinho, mas por trabalhar fora e quando retornam, ainda limpam e arrumam a casa, lavam roupas, fazem comida, cuidam das crianças, etc. São as Martas de nossa época.
Marta parece exercer uma liderança na família. Ela cuida das coisas, providencia comida, dá ordens e tenta delegar tarefas. Quando Jesus chega, ela se preocupa com várias coisas. Enche-se de atividades e se distrai "em muitos serviços"(v.40); fica "ansiosa e afadigada com muitas coisas". Podemos imaginar Marta fazendo um cardápio bem variado para agradar ao Mestre. Era sua maneira peculiar de amar. Em Jo 12.2, quando mais tarde Jesus os visita de novo, encontramos mais uma vez Marta servindo à mesa.
Jesus recrimina a Marta não tanto por sua dedicação, mas por sua natureza controladora e queixosa. Qualquer tipo de amor exagerado torna-se um transtorno de caráter, o que afeta inevitavelmente os relacionamentos interpessoais. Marta chega a reclamar até de Jesus! Ela diz: "Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só" (v.40)? Em outra versão ela teria dito: "Senhor, não te importas..."? Jesus recriminou o seu queixume, a sua implicância pela higienização do lar e variedade de comida.
É muito fácil perdermos o foco do que deve ser prioritário.
4 O AMOR AFETUOSO DE MARIA
Maria assentou-se aos pés de Jesus, numa atitude de afetuosa adoração. Ela fez a melhor escolha. Temos que priorizar isso em nossas vidas: aprender de Cristo é a coisa mais importante!
Segundo João (12.2-5), quando mais tarde Jesus os visita, Marta mais uma vez está servindo à mesa, mas Maria atende preferencialmente a Jesus. Maria derrama-lhe valioso perfume, "de muito preço, [e] ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com seus cabelos" (v.3). A atitude de Maria para com Jesus é sempre de um amor afetuoso.
Quem não entende dessas coisas do coração, da sensibilidade amorosa, critica achando ser um "desperdício", como disseram os discípulos em Mt 26.8: "Por que é este desperdício"? Na igreja, há também muitos críticos. Criticam o pastor, os outros irmãos, o professor da EBD, as crianças, etc. Motivos é que não faltam, mas Jesus elogiou a atitude de Maria: "Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória dela" (Mt 26.13).
Isso nos faz lembrar o valor do elogio ou da validação. Elogiar faz bem à alma e pode transformar vida das pessoas.
Maria tinha uma forma de tocar o coração das pessoas. Em Jo 11.21-27, Jesus dialoga teologicamente com Marta, mas quando Maria chega, mesmo tendo dito a mesma coisa que Marta, diz o texto bíblico: "Jesus chorou" (v35).
Como tem sido nosso relacionamento com o Senhor? Temos agido mais como Marta (serviço) ou como Maria (adoração e entrega incondicional)?
REFERÊNCIA
MCCASLAND, David C. Ser hospitaleiro. 2010. Disponível em:< https://paodiario.org/2010/09/27/ser-hospitaleiro/>. Acesso em : 04/02/2018.
QUESTÕES DA LITERATURA APOCALÍPTICA
Pr. Carlos Magno V. da Silva
TEXTO: Am. 3.7; Rm 16.25
1 INTRODUÇÃO
Num primeiro momento, queremos deixar claro aqui que nosso propósito é apenas apresentar alguns pontos da literatura apocalíptica judaica, destacando sua intercessão com a profecia e os textos apocalípticos do Novo Testamento, sob o ponto de vista da Hermenêutica bíblica. É provável que poucos crentes já ouviram falar sobre tal assunto.
É opinião comum dos especialistas em Escatologia que interpretar os apocalipses bíblicos é uma tarefa muito difícil. As muitas correntes teológicas e as variadas teorias sobre como se dará o "fim do mundo" provam isso claramente. É com humildade que nos colocamos diante de assuntos tão profundos e misteriosos.
Nosso propósito aqui é destacar algumas questões importantes de pano de fundo, quanto às origens, simbologia e caraterização da literatura apocalíptica judaica e cristã.
2 ORIGEM E CONCEITOS DA LITERATURA APOCALÍPTICA JUDAICA
Apocalipse é uma palavra composta. No grego é Apokalyptô, formada de kalyptô (esconder, ocultar) + apo (de), dando a ideia de desvendar alguma coisa anteriormente oculta (Rm 16.25; Lc 2.32; Am 3.7).
A apocalíptica judaica surgiu entre o período que vem de Daniel ao final do primeiro século cristão. Champlin e outros teólogos liberais preferem datar do ano 165 a.C. a 120 d.C., ou seja, a partir do período de Antíoco Epifânio, época de grande opressão política e religiosa. O propósito dela era dar esperança quanto ao futuro, saltando por cima de um presente difícil e angustioso.
Na verdade, os apocalipses judaicos apócrifos floresceram durante o período interbíblico, época de silêncio profético e divino, além da dominação pagã por Antíoco Epifânio. Como Deus se silenciou após Ageu, Zacarias e Malaquias, últimos profetas do AT, vários escritos pseudoepígrafes, como: O Livro de Enoque, A Assunção de Moisés, A Ascensão de Isaías e O Livro de Baruque, dentre outros, surgiram nesse período para motivar o povo à resistência, a superar as atribulações do momento. Os apocalipses cristãos apócrifos são: O Apocalipse de Pedro, O Pastor de Hermas e O apocalipse de Tomé.
Nas páginas das Escrituras, textos apocalípticos são Daniel (cap. 7-12) e Apocalipse de João e ainda temos os chamados "pequenos apocalipses", como: Mt 24-25; Mc 13; 1 Ts 5; 2 Ts 2; 2 Pe e Jd.
Virkler (2001) aponta 9 características da literatura apocalíptica:
1) O escritor escolhe um homem importante do passado (Enoque ou Moisés, por exemplo) e faz dele o herói do livro;
2) Este herói frequentemente empreende uma viagem, acompanhado por um guia celestial que lhe mostra vistas interessantes e comenta-as;
3) Muitas vezes a informação é comunicada por meio de visões.
4) As visões, com frequência, fazem uso de simbolismo estranho e até enigmático.
5) Vez por outra as visões são pessimistas com relação à possibilidade de que a intervenção humana melhore a presente situação.
6) De modo geral as visões terminam com a intervenção divina levando o presente estado de coisas a um final cataclísmico e estabelecendo uma situação melhor.
7) O escritor apocalíptico muitas vezes usa pseudônimo, alegando escrever em nome do herói que ele escolheu.
8) É frequente o escritor tomar história passada e reescrevê-la como se fosse profecia.
9) O foco da literatura apocalíptica está no consolar e sustentar "o remanescente justo".
A literatura apocalíptica apresenta algumas semelhanças com a profecia. Ambas se preocupam com o futuro. Ambas empregam com frequência linguagem figurativa e simbólica. Ambas acentuam o mundo invisível após a morte e destacam o valor da redenção futura do crente fiel. Entretanto, há várias distinções entre a literatura apocalíptica e a profecia. Maceias Nunes (1992) destaca três delas:
- O profeta pensava em termos deste mundo. Ele clamava por justiça social. Condenava as desigualdades sociais e bradava contra o pecado do povo. Sua missão era chamar o povo de volta à obediência ao Senhor. O profeta acreditava que a situação podia mudar, se o povo se arrependesse e aceitasse fazer a vontade de Deus. Nesse sentido, ele era otimista. Isso é muito comum nas profecias bíblicas. Quase todas as obras proféticas das Escrituras terminam com uma mensagem de restauração e bênçãos.
- O autor apocalíptico era pessimista e pensava de forma catastrófica. Para os apocalipticistas, não há mais remédio para o mundo. Eles esperavam não a reforma do mundo, mas a sua total destruição e consequente recriação. Isso pode ser visto claramente no Apocalipse de João.
- Quanto à modalidade do discurso. A mensagem do profeta era oral. Eles falavam ao povo, cara a cara, com uma mensagem vinda de Deus, mesmo padecendo as implicações desse ato. Por outro lado, a literatura apocalíptica era escrita. Formava um gênero literário. Se fosse oral, muitos não a compreenderiam. Os profetas sempre usavam seu próprio nome, enquanto que os apocalipticistas usavam pseudônimos. O Livro de Enoque, por exemplo, não foi escrito pelo Enoque bíblico (Jd 1.14-18; Gn 5.22-24). O Apocalipse de João é uma exceção.
Virkler (2001) ainda acrescenta outras diferenças:
- Os pronunciamentos proféticos são, na maioria das vezes, oráculos separados, breves. Os apocalípticos são, com frequência, mais longos, mais contínuos.
- A tendência do gênero apocalíptico é conter mais simbolismo, especialmente de animais e de outras formas vivas.
- O gênero apocalíptico acentua mais o dualismo (anjos e o Messias versus Satanás e o anticristo) do que o faz a profecia.
- O gênero apocalíptico consola e estimula o Remanescente Justo. A profecia castiga o religioso nominal e herético.
3 COMO INTERPRETAR A LITERATURA APOCALÍPTICA?
Como professor de Hermenêutica, também reconhecemos que um dos principais problemas da literatura apocalíptica diz respeito a como interpretá-la.
Nas Escrituras, encontramos vários tipos de gêneros do discurso. Bakhtin (2003) explica que esses gêneros do discurso são elaborações da língua de tipos relativamente estáveis de enunciados. Há, por exemplo, nas Escrituras, os textos nomísticos (leis), poéticos (poesia), proféticos, literário (como as parábolas), epistolares, históricos, etc. Para cada um desses, há métodos específicos para sua interpretação. A literatura apocalíptica forma um gênero literário à parte. Surgiu a partir do quinto século A.D. até o fim do I século depois de Cristo. É uma literatura altamente simbólica, hermética, codificada, entendida apenas por seus respectivos destinatários, escondendo, assim, dos inimigos a significação da mensagem (NUNES, 1992).
Hale diz que uma das principais características da apocalíptica judaica é o uso de símbolos para apresentar a mensagem escatológica. Há um rol de símbolos explorados por João, símbolos que eram também conhecidos por seus destinatários, como o significado de certas cores, dos números, dos animais, dos corpos terrestres e celestes, do chifre, dos cabelos brancos, etc.
Por exemplo:
AS CORES
Branco - vitória, pureza
Vermelho - luto, morte, impiedade;
Azul - eternidade, vida perene, caminho para Deus;
Verde - vida, vegetação, esperança.
OS NÚMEROS
Um - existência independente, uno, Deus;
Dois - força, verdade, o humano;
Três - unidade social, família, pai, mãe e filho; Trindade Divina;
Quatro - número cósmico, quatro-ventos; criação;
Cinco - número próprio do homem;
Seis - número do mal, imperfeição;
Sete - perfeição, plenitude, caminho, poder;
Oito - racionalidade, justiça, conselho, satisfação;
Nove - reconhecimento, iluminação, segredos;
Dez - destino, benefício, felicidade, sorte;
Onze - força, coragem, fervor, zelo;
Doze - Israel antigo, povo de Deus, religião organizada, igreja, dever, submissão;
Mil - enorme quantidade, o incontável, mil anos, mil vezes.
IMAGENS TRADICIONAIS
Chifre - poder, governo, liderança, força;
Cabelos brancos - eternidade (não velhice);
Roupa comprida - dignidade sacerdotal, respeitabilidade, honradez;
Cinto de ouro - poder real, poder militar;
Cavalo - justiça, julgamento, guerra, vitória;
Cavaleiro que monta um cavalo branco - Cristo vitorioso, anjo justiceiro;
Ouro - imortalidade, vida espiritual, riqueza;
Cabelos longos - maturidade, respeitabilidade, vida longa, serviço a Deus;
Anjo - mensageiro, servo da divindade;
Besta - poder maléfico, poder de Belial (NUNES, 1992, p.10).
A questão a ser debatida é levantada por Virkler (2001, p.149), quando pergunta: "Como o uso de um gênero enigmático, criado pelo homem, tal como o apocalíptico, afeta a autoridade e a fidedignidade das passagens bíblicas nas quais ele se encontra?". Esse mesmo autor responde, afirmando que Deus revelou sua verdade usando formas literárias conhecidas do povo daquela época. Se João tivesse usado símbolos bélicos, como de aviões e carros-tanques, seus leitores contemporâneos não o teriam entendido.
Virkler (2001), destaca 5 questões acerca da interpretação da literatura apocalíptica e da profecia:
- Que princípios hermenêuticos podem ser adotados para a interpretação da literatura apocalíptica? Há a necessidade de algum método hermenêutico especial? Especialistas afirmam que não. Pegue-se, por exemplo, o apocalipse. Podem-se utilizar os procedimentos de análise contextual (o contexto dos três primeiros capítulos), histórico-cultural (as circunstâncias históricas da época), léxico-gramatical(levar em conta que o Apocalipse tende a usar palavras com mais frequência nos sentidos simbólicos e figurativos) , e teológica (como as profecias se ajustam noutra informação paralela na Escritura).
- Existe na profecia ou na literatura apocalíptica um sentido mais profundo (sensus plenior)? Caifás, por exemplo, tinha consciência da necessidade da morte de Cristo, quando profetizou? Vd. João 11.50. Na verdade, Caifás entendia o que profetizava (convém que morra um só homem pelo povo), mas não sabia as implicações totais do que disse. A mesma coisa poderia acontecer com os profetas.
- Quanto do texto bíblico se deve ser interpretado literal ou simbolicamente? Observe-se, por exemplo, como se deve conceber a "Besta" do Apocalipse. É uma pessoa, uma cidade (Roma), um sistema político-econômico? A mulher assentada sobre os sete montes (Ap 17.9) deve ser concebida de forma literal? Virkler (2001, p.151) conclui, dizendo: "O problema de saber se uma palavra ou frase deve ser interpretada literal, simbólica ou analogicamente não é resposta fácil. O contexto e os usos históricos das palavras são os melhores guias gerais na tomada de decisões concernentes ao seu uso dentro de determinada passagem".
- Há regularidade no emprego dos símbolos apocalípticos? Ou seja, um símbolo significa sempre a mesma coisa toda vez que é empregado? O azeite sempre simboliza o Espírito Santo; o fermento, sempre símbolo do mal. Números simbólicos são 7, 12 e 40. Mas o 1000 é simbólico ou não?
- As declarações proféticas são condicionais? Como, por exemplo, conciliar a imutabilidade de Deus (Ml 3.6), com o fato de que Deus se arrepende? (Vd. Jr 18.7-10). Na verdade, Deus altera suas ações preditas, de maneira a permanecer coerente em seu caráter de amor e justiça.
- Passagens proféticas têm significado único ou múltiplo? Essa é uma questão controvertida. É preciso insistir pelo significado intencional único em cada passagem escriturística. Os textos bíblicos apresentam significado único, mas podem ter uma variedade de aplicações em situações diferentes.
4 CONCLUSÃO
Não temos todas as respostas para os questionamentos que são levantados sobre a literatura apocalíptica, ou sobre a Escatologia de modo geral, mas um dia vamos compreender todas as coisas, naquele dia glorioso da Parousia de nosso Senhor Jesus Cristo. Ademais, quem acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus, inerrante e infalível, e com essa fé a ler e a interpreta, a própria Bíblia se explica. Não acredite em tudo que os teólogos liberais dizem ou comentam sobre a Bíblia, como se pode observar no comentário de Champlin (2002 ). Ele não acredita na Palavra de Deus. Ele faz muitas concessões à Ciência e à teologia liberal, para agradá-los. Ele interpreta a Bíblia como se interpreta qualquer obra literária, condicionada pelo história, a cultura e a herança linguística de seus autores. Alguém já disse que "a Bíblia é o único livro que você lê em companhia de seu autor". Deus mesmo, por seu Espírito, nos iluminará no que é necessário para vivermos para a sua glória e para alcançarmos a vida eterna.
Também é preciso reafirmar que nem tudo é simbólico na Bíblia. Urbano Zilles (2001, p.11), teólogo de formação católica, declara sua compreensão de que "o mistério da vida e da fé cristã expressa e manifesta-se através de símbolos". Zilles (2001, p.12) ainda afirma: "A religião - como toda a cultura - não pode existir sem os símbolos. Até se pode considera-la como um sistema de símbolos para a comunicação com Deus". Paul Tillich (apud Zilles, 2001, p. 11) também defende que: "[...] o religioso em si, só consegue expressar-se em símbolos que, quando juntados numa unidade, chamamos mitos". Pensar sobre Deus de forma mitológica ou lendária não fazia parte da epistemologia judaica, mesmo nas mais primitivas eras. Nesse sentido o judeu era diferente do grego. Cremos que a revelação de Deus, em grande parte, foi proposicional. Moisés falava com Deus cara a cara (Êx 33.11); os profetas transmitiam as "palavras" de Deus (Jr. 16.1). Muito além da subjetiva interpretação de símbolos ou da teologia natural.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins fontes, 2003.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2002, Vol. 6.
HALE, David. Manual bíblico.
NUNES, Maceias. O apocalipse: EBD - Adultos. Rio de Janeiro: Juerp, Out.NOv.Dez. de 1992.
VIRKLER, Henry A. Hermenêutica avançada: princípios e processos de interpretação bíblica. São Paulo: Vida, 2001.
ZILLES, Urbano. Significação dos símbolos cristãos. 5.ed.rev. e ampl. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001.
Pr. Carlos Magno V. da Silva
O JOVEM CRISTÃO E A VOCAÇÃO RELIGIOSA
Feira de Santana
2018
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Feira de Santana, BA, janeiro de 2018
Obras do autor:
- Espetáculos da vida - 1989 (poesia)
- Esperança da Glória (1992) (poesia - Prêmio Vittório Bergo 92 - Academia Evangélica de Letras do Brasil)
- Preservando a família - 2000
- Como se tornar um cristão - 2004
- Breves paragens e outros poemas (2007)
- A situação da mulher na igreja.
- Olhos de nuvens claras - (2016).
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
2 VOCAÇÃO X OCUPAÇÃO
3 AS VÁRIAS CHAMADAS
4 O DESAFIO DE JESUS
5 COMO TER CERTEZA DA CHAMADA
6 DONS E TALENTOS
7 CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
1 INTRODUÇÃO
Para muitos jovens, descobrir qual seja a sua vocação constitui-se num grande dilema. Quantos jovens ao ingressar na Universidade ou no Seminário logo nos primeiros dias de aula se frustram, percebem que não era aquilo que queriam? E quando isso acontece, eles só têm então duas opções: fazer "na marra" um curso a respeito do qual não têm predisposição, nem afinidade, nem entranhada paixão, ou então terá que abandoná-lo. O único caminho agora é recomeçar. E isso demanda mais tempo, esforço e dinheiro.
Em recente palestra, proferida na Faculdade de Tecnologia e Ciências, abordamos várias questões acerca da carreira profissional. Destacamos pelos menos três importantes fatores para escolha da carreira profissional: 1º - Autoconhecimento. É preciso autoanálise para se descobrir quem se é: quais as habilidades naturais, do que gosta de fazer, seus próprios sonhos: há pessoas que desde muito cedo sabem o que querem da vida. Pensam e procuram desenvolver um PROJETO DE VIDA.
A psicóloga Cláudia Schiessl (2017) apresenta dicas para se escolher a profissão:
Saiba quem você é.
Conhecer-se é fundamental.
Saber o que gosta e do que não gosta.
Faça uma lista de suas habilidades e dos cursos que combinam com você.
Refletir sobre o que quer para o seu futuro.
Fique por dentro do assunto.
Se continuar perdido pode iniciar o processo contrário fazendo uma lista do que não gosta e do que não se identifica.
Ainda sobre o autoconhecimento, é preciso desenvolver uma antevisão do futuro, em que se deve questionar:
- Como me vejo no futuro?
- Vejo-me em um escritório, rodeado de colegas, com muitas demandas burocráticas para resolver?
- Vejo-me em uma clínica ou hospital, lidando com gente ou animal, geralmente em grande sofrimento físico ou mental?
- Sou apaixonado por computadores, máquinas, games.
- Curto muito esportes e academias.
- Gosto muito de desenhar, de trabalhar com formas e cores.
- Gosto muito de música e de instrumentos musicais.
- Meu forte são os números!
- Meus pais são policiais e é isso que quero ser.
- Nasci para ser professor!
- Sou chamado para pregar a Palavra de Deus! Gosto de estudar as Escrituras. Tenho grande prazer em ajudar as pessoas.
Em segundo lugar, é preciso conhecer a realidade profissional: as profissões, o mercado de trabalho e as opções de cursos nas Instituições de Ensino Superior. O conceito de carreira profissional engloba os conhecimentos específicos da área escolhida, os cursos, graduações, MBA, especializações, as rotinas de trabalho, as atividades extracurriculares, as promoções de cargos recebidas, os projetos construídos, o desafios enfrentados, ou seja, toda a experiência praticada ao longo da vida profissional (MARQUES, 2013).
Nesse sentido, diz ainda Marques (2013) que o essencial é fazer o que se gosta, é respeitar o seu perfil, as características de sua personalidade. A cumplicidade com a sua carreira profissional e a excelência nos resultados esperados estão fortemente ligados com a paixão com que se exerce a profissão.
O terceiro fator diz respeito à gestão da carreira. Quem deve ser responsável pela escolha e permanência na carreira pretendida? É claro que é o próprio candidato! Sonhe alto, mas estabeleça suas metas e desenvolva atitudes e estratégias para alcançar seus sonhos! Costumo dizer que não há sucesso sem muito esforço, coragem e dedicação.
Algumas das Faculdades de nossa Cidade estão se despertando para a necessidade de orientar os seus educandos, egressos do 3º ano do II grau, acerca de sua vocação. Entre os pastores já estamos também preocupados com essa questão. Muitos alunos estão se matriculando no curso de Teologia, e muitas vezes sem orientação tanto a respeito de sua própria vocação, como do curso em si: de suas especificidades, exigências e campos de atuação.
Vocação é um tema difícil de se abordar, pois além de envolver fatores dos mais complexos é algo essencialmente subjetivo. O Pr. Merval Rosa, especialista em Psicologia da Religião, diz: "A vocação religiosa é um dos aspectos mais pessoais da experiência espiritual do homem".[1] Isso quer dizer que o indivíduo tem a grande responsabilidade de saber se é um chamado por Deus ou não.
Vocação, do latim "vocatione", envolve dois aspectos distintos, mas interrelacionados:
- ato de chamar, de escolher, de predestinar - "Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta" (Jr 1.5);
- tendência, disposição, pendor, talento, aptidão.
Quando alguém diz que é vocacionado, ele, portanto, deve estar falando de uma dessas situações: "O indivíduo vocacionado é aquele que foi chamado, ou que se sente apto para a realização de alguma missão especial".
À luz desse conceito, o indivíduo vocacionado passa pelo menos por três fases:
- Ter consciência de que se é, ou foi, chamado para servir ao Senhor;
- Aceitar o chamado, ou (alguns até tentaram fugir do chamado divino, como Moisés, Jonas, ou aquele servo que da parábola dos talentos ("Ele, porém, disse: Ah, meu Senhor! Envia pela mão daquele a quem tu hás de enviar" - Êx 4:13; "E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis... - Jn 1.1-3; "Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim" - Is 6.7-8; Mt 21.28-31; 25.14-30;
- Finalmente, aceitando a chamada divina, o indivíduo deverá preparar-se adequadamente para bem realizar a sua missão.
Atualmente são poucos os jovens que estão se dispondo a fazer a vontade de Deus, entregando suas vidas a Ele para servi-lo. O saudoso professor e pastor William C. Taylor certa vez desabafou: "Na parábola do Mestre, era o servo com um talento e que o sepultou na terra, deixando-o ficar sem juros, atividade e aumento. Hoje em dia, que é que vemos? Vemos o Senhor Jesus a correr entre a mocidade evangélica qual Mendigo de mão estendida, pedindo aos analfabetos e medíocres os meio-talentos, as frações de um talento, para o seu serviço. E os moços que o evangelho criou e educou fazem ouvidos de mercador a Jesus, e sepultam seus talentos em coisas secundárias: a medicina, o direito, a engenharia".[2]
2 VOCAÇÃO X OCUPAÇÃO
Um indivíduo pode trabalhar, e às vezes pode até fazer seu trabalho bem feito, em alguma obra, sem que seja vocacionado para tal fim. Ele o faz por um senso de dever. O Dr. Paul Johnson distingue vocação de ocupação. Para ele, "ocupação é qualquer atividade que conserve alguém ocupado no espaço e no tempo", enquanto que "ter uma vocação é sentir-se chamado a fazer uma obra e aceitar essa chamada".[3] De acordo com o Pr. Merval Rosa, vocação é muito mais que ocupação: "Vocação não é mera ocupação; ela exige a total consagração da vida".[4]
A ocupação não preenche toda a sua vida. Seu coração não está nele confiado. Ele trabalha por uma questão de dever, de responsabilidade, para garantir seu sustento e de seus familiares. Mas trabalhar numa obra para a qual foi vocacionado é como colocar o homem certo no lugar certo. Esse trabalho será feito por amor, com alegria e dedicação, e dará um novo sentido a sua vida. Minha professora, Suzana Cardoso, da Universidade Federal da Bahia, parece ter entendido o que significou para mim a desistência do curso de Mestrado, quando finalmente resolvi estudar Teologia. Ela me escreveu, dizendo: "Espero que no novo caminho de vida, pelo qual optou, seja muito feliz e consiga fazer a muitos felizes. Acho, sem ter disso a menor dúvida, que o importante a cada ser humano é encontrar o sentido pleno de sua vida, seja neste ou naquele caminho, a ele entregar-se com fidelidade na tentativa de alcançar os objetivos desejados e fazer cada coisa, da menor às maiores, como se delas, e de cada uma delas, dependesse a salvação do mundo" (06/08/1989).
Sem atender aos apelos de sua vocação, o jovem viverá no mundo da confusão, da dúvida, da indecisão, pulando de galho em galho, desperdiçando a sua vida. Por esse motivo, a vocação deve ser a grande preocupação de sua vida, porque, conforme diz o Rev. T.B. Maston, "você tem apenas uma vida para viver, e ela passará antes que você se aperceba do fato. Quão trágico será se você cometer um erro quanto à sua carreira".[5]
Agora é o tempo de decisão. De tornar a vida mais significativa. E seguir sempre para a frente.
3 AS VÁRIAS CHAMADAS
Os estudiosos costumam distinguir, de acordo com as Escrituras Sagradas, várias chamadas, como por exemplo, a "chamada geral" e a "chamada especial".
1. A chamada geral engloba todos os seguidores de nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada para a fé ou para o discipulado: I Co 1.26; Rm 8.28 - 30; Atos 2.39; I Pe 2.9.
Neste caso, não somente os ministros e pregadores são chamados para pregar o evangelho, como também todos os seguidores de Jesus: Mt 28.18-20; Mc 16.15-16. Assim, todos são chamados para divulgar as Boas Novas de salvação. Primeiro ser chamado por Jesus, para depois cumprir a sua comissão. Como diz Maston: "O convite inicial de Jesus foi: "vinde após mim"; e o mandamento final: "Ide". A vinda foi, e é, preparatória para a ida"[6].
2. A chamada especial é aquela feita por Deus a um de seus servos para a realização de uma obra específica em seu reino, para o crescimento de Sua obra na terra e engrandecimento de Seu majestoso Nome.
Nesse sentido Deus chamou Abraão para que formasse uma nação santa, que adorasse somente ao Senhor; chamou Moisés aos oitenta anos de idade, quando ele pastoreava o rebanho de seu sogro Jetro, nas imediações do Monte Horebe, para libertar seu povo do jugo egípcio (Êx 3.1-12); chamou o nobre Isaías, quando ele estava no Templo adorando ao Senhor, para ser Seu profeta (Is 6.1-9); Samuel foi chamado por Deus, quando ainda criança, vivia na casa de Eli, para ser um sacerdote. Em o NT, encontramos Jesus chamando homens para ser seus discípulos (Mt 4.19; 9.9; Jo 1.35 -51), e, por fim, não esqueçamos do apóstolo Paulo, como ele foi chamado por Jesus, "para levar o meu nome diante dos gentios" (At 9.15).
E foi esse homem que revolucionou o mundo com a doutrina de Cristo. Por esse motivo o Dr. A. T. Robertson diz dele: "Às vezes um homem é mais do que um reino. Alexandre era mais poderoso do que todas as hostes de Dário. Se Jorge Washington fora do lado dos Britânicos, todo o curso da história norte-americana poderia ter sido bem diferente"[7].
Ainda a respeito do chamado de Paulo, poderíamos verificar uma coisa verdadeira, dita pelo Dr. Merval Rosa: "Uma autêntica vocação religiosa muda por completo o destino da vida de um homem"[8].
Jesus certa vez disse que: "A seara é realmente grande, mas poucos os obreiros" (Mt 9.36b). Há necessidade urgente de obreiros para a obra do Senhor; não somente para o Ministério Sagrado, como também para as inumeráveis tarefas de pregar, testemunhar, aconselhar, orar, cantar, contribuir financeiramente para o crescimento do seu Reino, participar nos cultos e nos variados setores da vida socioeclesial (Rm 12.3 - 8; 1 Co 12; e Ef 4.10 - 16).
A seara do Senhor, portanto, não tem apenas um Ministério, o Pastoral, mas um multiministério, em que é necessária a participação de todos, com a diversidade de dons que é peculiar à Igreja de Jesus Cristo: Rm 12.1-6; "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil" - 1Co 12:4-7; "Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens" - Ef 4.8. "Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função" - Ef 4:16.
4 O DESAFIO DE JESUS
O jovem que queira servir a Cristo verá que seu desafio é muito grande. Ele disse: "Se alguém me serve, siga-me" (Jo. 12.26). Seguir a Cristo é um passo muito sério. É um compromisso de morte, para o seu EU e para o mundo, tão somente a fim de servir unicamente a Jesus. Em Lc. 9.23, Ele reforça seu desafio: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me".
Conforme Paul Johnson, "uma vocação exige pessoa madura para aceitá-la, visto que representa trabalho interminável"[9]. Em relação ao ministério sagrado parece que a existência é mais rigorosa, chegando ao ponto de o Pr. Donald T. Turner perguntar: "Por que deve um jovem desejar uma carreira onde tudo o que faz será criticado?"[10] Mais adiante esse mesmo autor acrescenta: "Quem deve ser pastor? Parece que só um néscio escolheria, por sua própria conta, tal carreira. E se a escolhe, acreditando que é um ofício fácil, desejável, porque o conduz a uma posição desejada pela alta estima que recebe das ovelhas, está agindo como um tolo ou ignorante"[11].
Em Mt. 8.18-22 e Lc. 9.57-62, as três respostas de Jesus acerca da natureza do discipulado cristão reforçam a seriedade de seu desafio, ao mesmo tempo que nos levam a repensar nossas concepções a respeito da vida cristã.
1 Predisposição para sofrer por amor a Cristo.
Um escriba voluntariamente ofereceu-se para servir a Cristo, talvez até cheio de talentos naturais e status social. Pela resposta de Jesus, subentendemos que aquele escriba estava achando que seguir a Cristo seria algo como ter mais prestígio, fama e riqueza, não sabendo que a vida cristã requer muito sacrifício, muito sofrimento por se viver num mundo hostil, governado pelo diabo e seus seguidores. Jesus não veio ao mundo para se confraternizar com ele, acomodar-se à sua praxe e sua ideologia, mas Jesus veio com idéias frontalmente contrárias às do mundo. Não veio trazer paz, mas a guerra, a separação: Mt 10.34-39. E está escrito: "Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho" - Fp 1.27; "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" - Jo 16.33.
2 Colocar o Reino de Deus em primeiro lugar
Neste caso, o próprio Jesus convidou um dos seus que O seguiam, mas, à semelhança de muitos daqueles que pertencem ao "grupo do depois", tinha outras coisas mais "importantes" por fazer. O Pr. Isaltino Gomes, comentando esse trecho diz: "Esse homem que seguir Jesus, mas no momento tem coisas mais importantes por fazer" (...) "A palavra de Jesus é bem clara: É agora ou nunca. Não se pode marcar um prazo para servir a Deus. Ou Jesus é prioritário ou não se envolva com Ele"[12].
3 Dedicação incondicional
Este terceiro pretenso seguidor foi muito infeliz na maneira como queria servir a Cristo. Ele queria servir a Cristo, mas a seu modo, de acordo com seus interesses. O amor que devemos devotar a Cristo está acima de tudo, até mesmo ao amor e ao cuidado que devemos ter aos nossos familiares. Jesus quer seguidores que O amem de todo o coração, sem reservas, sem precondições, nem partes de seu ser autônomas.
"A chamada e a comissão de Cristo nos desafiam a dar o que de melhor temos e a ser o melhor por amor a Ele"[13] - conclui Maston. Ou como o lema de uma empresa de transporte norte-americana: "The best today - still better tomorrow".
Tudo isso que estamos falando não é utopia. Há homens e mulheres que assim compreendem o desafio de Jesus e têm dedicado suas vidas ao Serviço do Mestre. O casal Gillanders, Maria Neusa, o ex-padre Aníbal Pereira, e muitos outros são exemplos recentes em nossa história. Quando estava vivo, em carta, disse-me o irmão Aníbal: "Voltei a escrever e a pesquisar em meus estudos. Não mais com a intensidade de outros tempos. Faltam-me energias físicas. Já completei 64 anos e tenho enfrentado árduas batalhas. Estou com a saúde desgastada com grave moléstia. No entanto, não desisto nunca da luta e consagro à Causa do Senhor o resgate de minhas forças. Aliás, quando as tinha em grande volume, nunca as regateei diante da Causa do Evangelho. Louvo a Deus por ter-me dado tanta disposição de servi-lo. Já há 23 anos que enfrento este Ministério de cigano do Evangelho"[14].
5 COMO TER CERTEZA DA CHAMADA
O apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, disse-lhes: "... não sejais insensatos, mas entendeis qual seja a vontade do Senhor" (Ef. 5.17). Mas como saber a vontade de Deus para a minha vida?
É uma questão difícil e muito subjetiva para sabermos com certeza se certa pessoa é ou não vocacionada. Ninguém mais espere que Deus se manifeste visível e pessoalmente para chamá-lo para a obra do ministério assim como Ele chamou Abraão, Moisés, Gideão, Samuel, etc. Mas como diz TURNER: "Somente o candidato mesmo pode julgar no seu próprio espírito se sente a chamada divina, isto é, pela mesma voz ou vontade de Deus. Às vezes é uma impressão inescapável que pesa sobre ele dia e noite. As influências e insinuações do pai ou da mãe, ou irmãos para que entre no pastorado, não são suficientes, mas o chamado pessoal dAquele para quem vamos trabalhar, sim, dá convicção. Não importa qual, das mil e uma formas possíveis, tenha sido a chamada; o próprio candidato tem a responsabilidade de distingui-la e, por si mesmo, responder"[15]. Por outro lado, o chamado de Deus nunca está desvinculado de Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. O autor citado afirma: "é muito raro o caso de um homem que se sente chamado pelo Senhor para o ministério, sem que sequer uma passagem das Escrituras haja influenciado a sua decisão" (p. 27).
Isso nos leva a uma pergunta interessante: o que tem motivado nossos jovens a se dedicarem ao ministério? Segundo pesquisas feitas por alguns estudiosos em Seminários de Londres e EUA, levantaram-se dez motivos pelos quais os candidatos optam pelo ministério sagrado: o prestígio do ministro, o chamado de Deus, o altruísmo, a influência de terceiros, por interesse, por aptidão, estabilidade no cargo, lucro monetário, curiosidade de intelectual, reformar o mundo, fascínio, inaptidão emocional[16].
O jovem que se sinta chamado não deverá desprezar o conselho dos mais velhos, sobretudo da liderança de sua Igreja. È claro que também há de se levar em consideração os talentos naturais de cada um.
Ai daquele que resistir à chamada de Deus. "Quando aquele que ouve a voz divina chamando, não responde em seguida, o Espírito do Senhor não lhe permite esquecer o fato de que foi chamado. Às vezes, repete-se várias vezes a oportunidade de responder afirmativamente e, em outros casos, dá-se somente em uma segunda ocasião; mas de todos os modos, o convocado tem que reconhecer que o tempo para se decidir não é ilimitado. O homem que rejeita com determinação sua chamada, tarde ou cedo terá que lamentar sua infeliz decisão"[17].
Portanto, meus jovens, queremos citar apenas mais quatro pensamentos para encerrar: "desde que a vontade de Deus é sempre a melhor para nós, devemos procurar zelosamente conhece-la e, uma vez conhecida, não lutemos contra ela, mas cumpramo-la com prazer"[18].
"Deus jamais esperará que realizemos algo para o qual Ele não nos deu força. Ele dará o poder se dependermos Dele para isto"[19]. Este é da missionária Maria Neusa: "E se, depois deste estudo, alguém ainda tem dúvidas quanto à vontade de Deus para a sua vida, só resta obedecer a Romanos 12.1-2".
6 DONS E TALENTOS
De vez em quando se levanta a questão acerca de "dons e talentos". A princípio a Bíblia não faz uma separação expressa entre eles, até porque não há nela o emprego de "talento" no sentido de "aptidões pessoais", conforme usamos hoje em dia, figuradamente, mas unicamente em referência a "unidade monetária ou de peso". Ver: Mt 25.14-30. Um talento de ouro, segundo J. David, custava cerca de 30 mil dólares; o de prata, quase 2 mil dólares.
Já em relação a "dons", a Bíblia é muito clara: "Dons" são capacitações outorgadas pelo Espírito Santo aos servos do Senhor para edificação e expansão do Seu Reino aqui a terra. Não são dotes ou qualidades adquiridas pelo esforço da inteligência humana, mas dadas por Deus aos homens segundo sua vontade. Em Ef. 4 : 8, vemos que Jesus subiu aos céus, e deu dons aos homens. No grego, Paulo usou o termo "dómata", que quer dizer "Dádivas". Ainda nesse texto, Jesus deu diferentes dons: para apóstolos, para profetas, para evangelistas, para pastores e doutores, com uma única finalidade: "cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef 4. 8-16).
Em 1 Co 12.1-11, texto clássico que trata dos "dons espirituais", o termo empregado por Paulo ao falar dos dons é "carisma", que quer dizer: dom, dote. Segundo Thayer: "dons extraordinários que distinguem certos cristãos, dando-lhes o poder de servir à igreja de Cristo, sendo este poder e estes dons resultado da graça divina nas suas almas, Rm 12.6;1 Co 1.7; 12.4, 31; 1 Pe. 4.10"[20].
E o apóstolo Paulo encerra: "a nossa capacidade vem de Deus" (2Cor 3.5b). No âmbito da língua portuguesa esses dois termos têm sentidos distintos. Aurélio define-os assim:
- Dom: Dádiva, presente; dote ou qualidade natural, inata; etc.
- Talento: Peso e moeda da Antigüidade grega e romana; fig: aptidão natural, ou habilidade adquirida; etc.
7 CONCLUSÃO
Muitas pessoas, temos observado, têm problemas em saber qual a sua vocação religiosa não por ser essa uma questão difícil ou por falta de evidências da chamada divina, mas por não querer abrir mão de sua própria carreira, de sua estabilidade econômica ou geográfica, de seu conforto doméstico ou por qualquer outro interesse pessoal.
A Palavra de Deus declara que: "Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja" - 1 Tm 3.1. Paulo serve-nos como exemplo: Ele disse: "Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus" - At 20.24.
Não há maior satisfação na vida do que fazer aquilo de que se gosta, de se fazer bem feito, pelos motivos corretos, e para a glória de Deus.
Referências
MARQUES, José Roberto. Conceito de carreira profissional. 2013. Disponível em:<https:// www.ibccoaching.com.br/portal/coaching-carreira/conceito-carreira-profissional/>. Acesso em: 23 nov. 2017.
MASTON, T.B. A vontade de Deus e a sua vida. 2. ed. RJ: JUERP, 1979.
REIS, Aníbal P. Correspondência pessoal, 04/04/1988.
REVISTA Palavra & Vida, Ano I, RJ: JUERP abr. mai. jun. 1989.
ROBERTSON, A. T. Épocas na Vida de Paulo. Rio de Janeiro: CPB, 1953.
ROSA, Merval. Psicologia da Religião. RJ: JUERP, 1979.
SCHIESSL, Cláudia. Orientação Vocacional: autoconhecimento. Vídeo nº 1. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v = - cPSzG Av45k&t=1120s>. Acesso em: 23 nov. 2017.
TAYLOR, W. O fruto do Espírito Santo revelado em Jesus. RJ: JUERP, 1970.
TURNER, D. A Prática do Pastorado. 2. ed. São Paulo: IBR, 1979.
[1] RJ: JUERP, 1979, p.209.
[2] O fruto do Espírito Santo revelado em Jesus. RJ: JUERP, 1970, p.30.
[3]Personality and Religion. NY, Abingdon Press, 1959, 262 apud ROSA, 1979, p. 210.
[4] Idem, p. 220.
[5] A vontade de Deus e a sua vida. 2. ed. RJ: JUERP, 1979, p.36.
[6] Op. Cit., p.15
[7] Épocas na Vida de Paulo. Rio de Janeiro: CPB, 1953, p.45.
[8] Op. cit., 221
[9] Op. Cit,. 262
[10] A Prática do Pastorado. 2. ed. São Paulo: IBR, 1979, 15
[11] Ibidem, 16
[12] Revista Palavra & Vida, Ano I, abr. mai. jun. 1989, p. 18
[13] Ibidem, p. 16
[14] Correspondência pessoal, 04/04/1988.
[15] Op. cit., 20
[16] ROSA, Merval. Op.cit., 212-213.
[17] TURNER, D. Op. Cit., p. 25.
[18] MASTON, T.B. op. Cit., p. 26.
[19] MASTON, T.B. Op. Cit., p.23.
[20] Apud Taylor, p. 243
1 ATITUDES PARA O ANO NOVO
Texto: Fp 3.12-21
INTRODUÇÃO
Não importa até onde tenhamos chegado. A ordem é prosseguir! Não podemos parar em busca de nosso alvo, como já dizia Miqueias no passado: 2.10: "Levantem-se, vão embora! Pois este não é o lugar de descanso, porque ele está contaminado e arruinado, sem que haja remédio".
Ter atitudes corretas determina nossas ações diárias. Vamos destacar 6 atitudes para enfrentar os desafios do ano novo:
1ª - CONSCIÊNCIA DA INCOMPLETUDE - V. 12
Uma coisa de admirar em Paulo é sua humildade. Paulo é um dos gênios do cristianismo. Grande parte do NT (13 cartas) consiste em obras dele, em que ele interpreta os Evangelhos e doutrina a igreja cristã nascente. Quando analisamos a vida desse servo do Senhor, vemos um homem inteiramente consagrado a Cristo: At 20.24; um homem que traz em seu corpo as marcas de seu heroísmo: Gl 6.17; um homem que seria capaz de qualquer sacrifício para cumprir a sua missão de pregar o Evangelho: 1 Co 9.27; 2 Co 1.8; um homem que poderia se exaltar pelas revelações divinas que tivera e que, por isso mesmo, em nada foi inferior aos apóstolos: 2 Co 11.5, 23; 12.12; um homem que, ainda na velhice, preso em Roma por testemunhar de Jesus, não se envergonha, pois sabe em quem crê: 2 Tm 1.12; 4.7 ("Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé"). É justamente esse homem, entretanto, que afirma aqui (Fp 3.12) que ainda não atingiu a completa perfeição em Cristo, experimentando tudo que Cristo passou.
Essa percepção da incompletude é parte fundamente do ser humano. Somos seres em permanente construção, o cristão principalmente, pois nossa glorificação será na eternidade: Rm 8.23, 26; Rm 12.3.
Que tipo de cristão estamos construindo em nós mesmos? Quantos tipos de crente você conhece?
2ª - NÃO HÁ OPÇÃO PARA DESISTÊNCIA - V. 13
O cristão vive pela fé. Quando se sente esgotado de tanto trabalhar, ele descansa, mas não desiste. É isso que o autor da carta aos Hebreus fala em 10.35-39. Somos daqueles que persistem no caminho da salvação!
Como Moisés no passado, nada de ficar paralisado olhando para as barreiras e dificuldades: "Dize aos filhos de Israel que marchem!" (Ex 15.14)
O cristão tem um alvo supremo neste mundo: servir ao Senhor com fidelidade! E para viver neste mundo sendo frutuoso e dedicado, como em todas as áreas de sua vida, precisa estabelecer metas e estratégias de como alcançar essas metas: "pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas" (1 Pe 1:9). Ver também: 1 Tm 6.19;
Há um ditado que diz: "Quem não sabe o que procura, não percebe quando encontra." Especialistas pegaram a palavra inglesa "smart", que quer dizer "inteligente", e transformaram num acrônimo, a respeito das metas; nesse caso, as metas devem ser:
- Específicas (Specifics),
- Mensuráveis (Measurable),
- Realizáveis (Achievable),
- Relevantes (Relevants)
- E com prazo definido (Timed).
O filósofo Mário Sérgio Cortella também afirma que: "O instigante Lewis Carol, na sua imortal Alice no país das maravilhas, a ser lida e relida, tem dois personagens bem expressivos para entendermos os tempos atuais: um coelho (como nós) sempre correndo, sempre olhando o relógio e sempre reclamando: "estou atrasado, estou atrasado"; e um insondável gato que, no alto de uma árvore, tem um corpo que aparece e desaparece, às vezes ficando só a cauda. Às vezes só o sorriso. Há uma cena (adaptada aqui livremente) na qual Alice, desorientada, vê o gato na árvore e pergunta: "Para onde vai esta estrada? O gato replica: Para onde você quer ir? Ela diz: Não sei, estou perdida. O gato não titubeia: Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve..."
Para 2018 a Ibrene estabeleceu 10 metas a cumprir. Quais suas metas espirituais e pessoais? Quais as metas da Igreja para este ano? Você sabe quais são? Para isso, temos que orar e cada um se empenhar em cumprir a sua tarefa (Ef 4.16: "Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função").
METAS ESPIRITUAIS
- Ler a Bíblia todos os dias. Começar um estudo bíblico.
- Realizar uma boa ação para cada membro da família durante um mês;
- Preparar-se para eventuais emergências, como o desemprego, começando uma poupança família;
- Esforçar-se por participar de todas as atividades de seu departamento;
- Ser caprichoso. Manter a casa, roupas, armários, sempre limpos e organizados;
- Fazer oração familiar pelo menos uma vez ao dia;
- Passar a contribuir com o dízimo;
- Fugir de certas pessoas, ambientes ou situações que servem como tentação ao pecado;
- Assumir um ministério na igreja;
- Participar de campanhas solidárias.
3ª - NÃO SE PRENDE AOS FRACASSOS DO PASSADO - V.13
Paulo afirma que não permitia que sua história do passado definisse sua vida do presente. Ele bem que poderia ter vivido se maldizendo por ter perseguido e matado vários cristãos, mas não! Ele prossegue para o alvo pelo qual foi chamado a servir a Cristo! 1 Tm 1.12-13.
4ª - É SOLIDÁRIO COM AS LUTAS DOS OUTROS - V.15-16
A humildade de Paulo sobressai-se aqui também, quando expressa o respeito aos que pensam diferente dele: "Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá". Rm 14.10, 13, 15. A regra do amor está exposta aí!
5ª - ESPELHA-SE NOS QUE ESTÃO VENCENDO A LUTA - V.17
O verso 17, na NVI, está escrito: "Irmãos, sigam unidos o meu exemplo e observem os que vivem de acordo com o padrão que lhes apresentamos".
Há igrejas fiéis que se tornam exemplo a serem seguidas, como Paulo dizia acerca da igreja de Tessalônica: "E, assim, tornaram-se modelo para todos os crentes que estão na Macedônia e na Acaia". 1 Tessalonicenses 1:7.
Cabe ao cristão imitar a fé e a paciência dos que herdam as promessas de Deus: "De modo que vocês não se tornem negligentes, mas imitem aqueles que, por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida" Hebreus 6:11-12.
Quem são nossos amigos, nossos colegas?
6ª - TEM PLENA CONSCIÊNCIA DE SUA CIDADANIA CELESTIAL - V. 20
É o que Paulo afirma em Fp 3.20. Nossa cidade está nos céus. É por causa dessa grande esperança que norteamos nossa vida enquanto vivemos na cidade dos homens.
CONCLUSÃO
Precisamos de atitudes firmes para alcançarmos nossas metas. Vamos nos lembrar neste novo ano das atitudes, determinação e motivação vibrante de Paulo, ao prosseguir com bravura para atingir o alvo para o qual ele fora chamado por Deus em Cristo. Olhando para Jesus, autor e consumador de nossa fé! (Hb 12.1-2)
31 dez. 2017
REFERÊNCIA
CORTELLA, M. S. Não Nascemos Prontos. 18. ed. Rio de Janeiro/Petrópolis: Vozes, 2006.
2. EU ACREDITO: REAFIRMANDO AS GRANDES DOUTRINAS CRISTÃS
TEXTO: Jo 14.1-14
1 INTRODUÇÃO
Nossas crenças se fundamentam nas Escrituras. Feliz o lar que tem a Bíblia como fundamento e pauta sua conduta segundo seus ensinos e preceitos.
O Senhor Jesus Cristo orienta seus discípulos, em seu discurso de despedida, sobre várias questões pertinentes à fé cristã. Ele fala sobre o valor da fé. Ela fala daquelas doutrinas fundamentais da fé cristã. O verbo "crer" ocorre nesse trecho seis vezes. Em tempos difíceis como os que estamos vivendo, é necessário reafirmar nossa crença nos ensinos do Senhor Jesus Cristo, nos fundamentos de nossa fé.
Final de ano é sempre um momento propício para reflexões dessa espécie. Do que temos feito, do que faremos, tomando como base nossas crenças básicas, que orientam nossas vidas.
Vamos reafirmar, diante de Deus e dos homens, em quem e no que nós cremos, tomando como base o Evangelho de João, cap. 14.1-14.
É possível destaca pelo menos 5 importantes doutrinas cristãs nesse trecho do evangelho joanino.
2 A DOUTRINA DE DEUS - V. 1
O primeiro fundamento de nossa fé é a crença na existência de Deus. Esta é a primeira sentença do Credo dos Apóstolos (1. Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra; 2. E em Jesus Cristo, um só seu Filho (seu único Filho), Nosso Senhor). Champlin (p.520) resume o que essa crença professa:
- Que ele existe; que ele recompensa e pune; - que ele impõe exigências morais, conforme se aprende em Rm 1.20 e Hb 11.6. Isso é teísmo em contraste com o deísmo.
- Que ele operou através de Cristo na sua missão messiânica e salvadora, Jo 3.16-17.
- Que ele age como Pai e deseja nosso bem-estar como filhos, Jo 1.12.
- Que ele é o grande poder; o bem finalmente triunfará; a tragédia não poderá caracterizar finalmente a nossa vida; ele solucionará o problema do mal.
Diante do "medo", Jesus apela seus discípulos a crer nele.
Se deixarmos Deus fora de cena, o que nos pode acontecer? Na revista Ultimato, alguém escreveu:
• Perde-se o rumo e perguntas cruciais - quem sou? De onde vim? para onde vou? - ficam sem resposta.
• A vida termina com a morte somatopsíquica e não se pode ter a menor esperança para o além-túmulo.
• Jogam-se fora todas as esperanças cristãs até então acumuladas e guardadas, como a ressurreição dos mortos, a morte da morte, a extinção do pecado, o reino de justiça e paz pelo qual sempre ansiamos, a plenitude da glória de Deus e o advento de novos céus e nova terra.
• Tudo aquilo que sempre teve valor e era tratado com respeito é desprezado: a Bíblia como a Palavra de Deus, o batismo, a Santa Ceia, o Natal, a Semana da Paixão, a confissão, o perdão de pecados.
• Perde-se o paradigma de comportamento baseado no Decálogo e nas Escrituras, que prevê o relacionamento da criatura com o Criador, com a criatura e com a criação.
Se neste ano, que desponta com o nascer do sol do dia primeiro de janeiro, continuarmos a colocar Deus fora de cena, estaremos dando mais alguns passos em direção ao inevitável desmoronamento de tudo que nos cerca (Ef 2.12). Só então reconheceremos que tudo aquilo que inventamos para compensar a ausência de Deus era como cisternas tão furadas que pareciam verdadeiras peneiras (Jr. 2.13).
É preciso crer em Deus, mas também tem que crer em Jesus Cristo.
3 DOUTRINA DA IMORTALIDADE DA ALMA - V. 2
Jesus ensinou sobre o céu. A realidade é mais do que aquilo que podemos ver ou tocar. A vida humana não encerra neste mundo. Há uma outra realidade aguardando-nos na eternidade. Há céu e inferno. Jesus veio do céu e voltou para lá. Esta é uma verdade bíblica.
Jo 3.12-13 - "ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu" .
João 6.38 - "eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou".
Jo 6.51: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre" .
Paulo de Tarso também: 2 Coríntios 12.4: "Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar".
c) João, o apóstolo do Senhor. João descreveu o Céu como "o paraíso de Deus" (Apocalipse 2.7). Diferente de Paulo, que nada pode falar do que viu no Céu, João relatou tudo o que presenciou: o Trono de Deus, toda beleza celestial, e uma multidão de crentes de todas as nações que estavam vestidos de vestes brancas diante de Jesus Portanto, o Céu é um lugar real, preparado para aqueles que amam ao Senhor Jesus. João viu "uma porta aberta no céu" (Ap 4.1).
1 Jo 3.3: "Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro".
4 DOUTRINA ESCATOLÓGICA OU DAS ÚLTIMAS COISAS - V.3
A Segunda Vinda de Jesus é um dos primeiros eventos na ordem da doutrina escatológica. A Segunda Vinda de Cristo é a grande esperança do crente. Todos nós vivemos nessa expectativa. Vi no parabrisa traseiro de um carro o seguinte adesivo: "Eu acredito no arrebatamento". Há momentos que ansiamos que esse momento aconteça. O que vai acontecer com nossos parentes que não têm esta esperança? Eles não subirão a encontrar-se com Jesus nos ares, e permanecer para sempre com Jesus na Glória Eterna.
Jesus voltará em breve. Será que isso nos incomoda? Isso não faz pensar nos perdidos? Isso não preocupa a tal ponto de nos motivar a sermos mais santos, como nos alerta o apóstolo Pedro?
2 Pe 3:11 -12: "Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?".
- 1 Ts 4.16-17 - Seremos arrebatados!
- Jesus disse por três vezes em Jo 14: "Virei outra vez" (v. 2); "Não vos deixareis órfãos, voltarei para vós" (v. 18)"Vou, e venho para vós" (v. 28). Você acredita nisso?
5 DOUTRINA DA SALVAÇÃO - v. 6
At 4.12: "E em nenhuma outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos". Em nenhum outro há salvação. Nenhum outro deus, nenhuma outra pessoa ou instituição poderá conduzir o homem a Deus, a não ser o Senhor Jesus Cristo.
Será que vai aparecer outra pessoa que faça mais do que Jesus fez e ensinou? Jo 7.31: "E muitos da multidão creram nele, e diziam: quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?"
Jo 6.27: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou". A NVI traduziu assim: "Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação".
Quem estuda mesmo as Escrituras não serão enganados. Vão descobrir que só Jesus pode salvar a humanidade perdida. Mais ninguém!
6 DOUTRINA DA ORAÇÃO - v. 13
"E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (Jo 14:13 -14).
Larry Lea afirma: "Jesus colocou a oração no coração da vida cristã". Não há como exercer a vida cristã sem oração. Spurgeon afirmou: "Uma alma sem oração há que ser uma alma sem Cristo". Se você é um cristão, se é uma mulher cristã, tem o dever de orar, e precisa aprender a cada dia a orar.
O Pr. Grudem (1999, p. 309), também declara:
A oração genuína é uma conversa com uma pessoa que conhecemos bem, e que também nos conhece. Essa conversa verdadeira entre pessoas que se conhecem jamais depende do uso de fórmulas decoradas ou palavras determinadas, mas é uma questão de sinceridade do nosso discurso e do nosso coração, uma questão de atitudes corretas e do estado do nosso espírito.
Deus só não responde a oração que não deve ser respondida!
7 Conclusão
"Eu acredito no sol, mesmo quando não ilumina.
Eu acredito no amor, mesmo quando não o sinto.
Eu acredito em Deus mesmo quando permanece calado."
Escrito na parede de um sótão utilizado por judeus, que se escondiam de nazistas.
3. O TESTEMUNHO DE JOÃO BATISTA SOBRE JESUS
TEXTO: JO 3.22-36
INTRODUÇÃO
João deu início à prática do batismo. O batismo pré-cristão para João era um ritual de iniciação, de identificação a uma nova ordem de coisas que Deus estava prestes a implantar em Israel, era, como diz Champlim (p.283), "um sinal preparatório para o advento do Messias" (Jo 1.31, 33). João, de acordo com esses versículos, estabelece o propósito do seu batismo: "Para que ele fosse manifestado em Israel", e ainda explica que passou a conhecer a Jesus como Messias por um "sinal" especial de Deus.
João batizava em Enom, próximo a Salim, "porque havia ali muita água". Embora João não tivesse o propósito de provar a forma do batismo, fica evidente que ele batizava por imersão. É a chamada prova topológica do batismo.
Jesus adotou o mesmo método de João. Primeiro ele se submeteu ao batismo de João (Mt 3.13-17). Depois passou também a batizar seus discípulos (Jo 3.26; 4.1-2). Isso vai se tornar uma prática do Cristianismo: Mt 28.19; At 22.16 (significa purificação e remissão de pecados).
Isso provocou uma polêmica entre os discípulos de João e uns judeus acerca da purificação (v. 25). Provavelmente esses judeus eram simpatizantes de Jesus, mas estavam confusos. Não sabiam a quem seguir. Ainda hoje há muitas pessoas em dúvida. Visitando igrejas e mais igrejas, estudando doutrinas e outras não-cristãs.
É por causa de pano de fundo histórico que João fez algumas das mais notáveis afirmações acerca da Messianidade de Jesus.
1ª - JESUS TEM O TESTEMUNHO DO CÉU A SEU FAVOR - V. 27
- Mt 3.16-17 - "Este é o meu filho amado".
- João é apenas um mensageiro dele. O grande aqui é Jesus, não João (Mt 3.11). ele é o amigo do esposo, não o esposo.
2ª - JESUS É SUPERIOR A JOÃO - V. 30
João reconhece o seu lugar. É necessário que ele cresça e que eu diminua. As igrejas evangélicas precisam aprender com João. Que Jesus cresça e seja glorificado na igreja, não seus líderes ou quem quer que seja. Há igrejas que exaltam mais seus pastores do que a Cristo. Há igrejas que exaltam o Jesus errado. Que em nossas programações, nas músicas que cantamos, nos sermões, nas atividades que desenvolvemos eclesiasticamente, Jesus esteja no centro das atenções.
João reconheceu que Jesus está acima de todos (v. 31). João é da terra (repete isso por três vezes); mas Jesus é o Logos encarnado, o Logos Celestial, o Cristo pré-existente.
Ver Fp 2.9; Cl 1.16-19 e Ap 5.13.
- Hb 12.2: "Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse. Pelo contrário, por causa da alegria que lhe foi prometida, ele não se importou com a humilhação de morrer na cruz e agora está sentado do lado direito do trono de Deus". Neste trecho das Escrituras, é possível destacar três atitudes de Jesus acerca do desenvolvimento da carreira cristã: 1ª - Deixar os embaraços; 2ª - correr com paciência (vivemos numa época imediatista, a velocidade é a sua principal marca, Sl 40.1); e 3ª - tomar Cristo como modelo de foco, determinação e coragem para vencer as dificuldades da carreira, como a humilhação e as situações adversas.
- 2 Timóteo 2:8,9: "Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, descendente de Davi, conforme o meu evangelho, pelo qual sofro a ponto de estar preso como criminoso; contudo a palavra de Deus não está presa".
Algum anos atrás, o pr. Elben M. Lenz César (2014), editor da revista Ultimato, publicou um artigo sobre esse versículo. Observem o que ele escreveu:
"A quem o apóstolo Paulo endereçou a exortação "Não perca Jesus de vista"? Por mais curioso que possa parecer, não foi a uma das igrejas por ele fundadas na Europa mediterrânea, nem a algum novo convertido, nem a algum candidato ao ministério. O 'Lembre-se sempre de Jesus Cristo' está na última das treze cartas escritas por Paulo, entre os anos 64 e 68 depois de Cristo. Ela foi dirigida a Timóteo, que não era mais aquele jovem que o apóstolo havia levado a Cristo, no mínimo vinte anos antes. Quem sabe Timóteo teria agora uns 40 anos!
Além do mais, o pedido de Paulo foi dirigido a alguém que havia herdado a fé sincera de sua mãe Eunice e de sua avó Lóide (2Tm 1.5); a alguém que o apóstolo chamava de "meu verdadeiro filho na fé" (1Tm 1.2); a alguém que havia acompanhado Paulo em suas viagens missionárias desde o início da segunda viagem, por volta do ano 51 depois de Cristo (At 16.1-3); a alguém que havia sido seu companheiro de prisão em Roma por volta do ano 60 depois de Cristo (Fm 1); a alguém que havia sido corremetente de seis das treze cartas de seu pai na fé (2 Coríntios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filemom); e a alguém que seria, segundo a tradição, o primeiro bispo de Éfeso.
Tudo isso indica que perder Jesus de vista é um perigo real, para qualquer pessoa e em qualquer tempo. Significa também que as igrejas de hoje, os ministros religiosos de hoje e os crentes de hoje precisam levar continuamente a sério a advertência de dois milênios atrás: "Lembre-se sempre de Jesus Cristo" (2Tm 2.8)!"
3ª - JESUS É O LOGOS ENCARNADO QUE TRAZ A REVELAÇÃO DE DEUS - V. 34
João aponta a perfeita natureza da missão de Jesus neste mundo: Ele fala as palavras de Deus! (Jo 1.18). Jesus é a revelação final de Deus para a humanidade: Hb 1.1-3; Ap 1.1. Jesus nesse sentido se difere dos antigos profetas, que, segundo uma asserção rabínica: "0 Espírito Santo, que habita nos profetas, não habita neles senão por medida" (Rabino Acha, no Rabba, sobre Lv. 15:2) (CHAMPLIN, p. 318). Isso significa que Jesus vem na plenitude do Espírito Santo.
Para culminar em seu elogio, João afirma: "O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos" (v. 35).
- Jo 8.24 - "Se não crerdes em minhas palavras, morrereis em vossos pecados".
- Quem crer nele tem a vida eterna - v. 36.
CONCLUSÃO
Tanto João como Jesus enfatizam a necessidade de o novo convertido se batize. O crente que não se batiza está desobedecendo a Cristo, e evidencia, exceto em casos especiais, falta de compromisso e consideração ao nosso Senhor e às suas ordens.
Quem é Jesus para você? Àqueles que ainda não se converteram, estão rejeitando o único que pode resolver os problemas espirituais do ser humano, que pode salvar os perdidos. Encontre nas Escrituras o Jesus verdadeiro. Confie nele. Decida-se por seguir a Cristo e dedicar sua vida a ele.

